23.9 C
Manaus
segunda-feira, 15 junho, 2026
InícioBrasilApós fracasso em delação, PF suspeita que Vorcaro aposta em vitória de...

Após fracasso em delação, PF suspeita que Vorcaro aposta em vitória de Flávio Bolsonaro

Date:


Por Cleber Lourenço

As sucessivas idas e vindas do empresário Daniel Vorcaro nas negociações para um acordo de colaboração premiada passaram a despertar desconfiança entre membros da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal. Segundo relatos obtidos pelo ICL Notícias, cresce a avaliação de que as tentativas de delação podem estar sendo utilizadas como estratégia para prolongar as negociações enquanto o empresário observa a evolução do cenário eleitoral do país. A avaliação do banqueiro seria de que uma vitória de Flávio Bolsonaro o livraria da cadeia.

A leitura ganhou força após a avaliação de integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República de que as informações apresentadas por Vorcaro em suas mais recentes investidas não trouxeram fatos inéditos capazes de justificar o avanço de um acordo de colaboração.

Segundo fontes com conhecimento das discussões em torno do caso, a percepção é que Vorcaro pode estar apostando no fator tempo. Mudanças futuras no ambiente político  poderiam alterar as condições de negociação ou até mesmo o contexto em que os processos serão julgados.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirma compartilhar essa interpretação.

“Ele tem dois caminhos: fazer agora uma delação e denunciar aqueles que o enriqueceram ou esconder isso agora e esperar que essas pessoas tenham poder no futuro para não condená-lo. Eu acho que ele, por ora, faz essa segunda opção e espera o processo eleitoral”, disse o parlamentar ao ICL Notícias.

Na mesma linha, o deputado federal Rogério Correia afirma que a trajetória do Banco Master e as relações construídas por Vorcaro ao longo dos últimos anos ajudam a explicar essa expectativa.

“O Banco Master é, de fato, um BolsoMaster. Isso não é só um nome, mas um conceito. Foi um banco feito para que você pudesse ter acesso a muitos recursos e, a partir dele, compromisso com o bolsonarismo”, afirmou.

Para o parlamentar, Vorcaro teria razões para acreditar que uma eventual mudança de cenário político poderia beneficiá-lo no futuro.

“Ele tem dois caminhos: fazer agora uma delação e denunciar aqueles que o enriqueceram ou esconder agora e esperar que estes tenham poder no futuro para não condená-lo”, acrescentou.

O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) também considera plausível que fatores políticos e eleitorais estejam influenciando a estratégia adotada pelo empresário.

“Eu acho que essa interpretação faz todo sentido. Não imagino que uma delação de um cara com tantas vinculações com o andar de cima do poder não tenha alguma interferência do cenário político eleitoral”, afirmou ao ICL Notícias.

Segundo o parlamentar, as movimentações de Vorcaro podem estar relacionadas à expectativa de mudanças futuras no ambiente político e institucional.

“Eu acho super possível que haja uma interferência política eleitoral e que o mercado esteja tentando fazer cálculos com as movimentações eleitorais no Brasil”, disse.

Relações políticas

A avaliação dos parlamentares ocorre em meio a uma série de elementos que reforçam a proximidade histórica entre Vorcaro e setores do bolsonarismo.

O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022. Sozinho, Zettel destinou R$ 3 milhões à tentativa de reeleição do então presidente. No mesmo pleito, também repassou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, totalizando R$ 5 milhões em doações eleitorais.

Vorcaro também aparece no centro das discussões envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto passou a ser alvo de questionamentos após a revelação de aportes associados ao empresário e a estruturas financeiras que vêm sendo analisadas por autoridades brasileiras e estrangeiras.

Também foi durante o governo Bolsonaro que Vorcaro obteve autorização para assumir o controle do então Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master.

O negócio havia encontrado resistência inicial no Banco Central. Em fevereiro de 2019, ainda sob a gestão de Ilan Goldfajn, a operação foi barrada em razão de pendências envolvendo o empresário. O cenário mudou meses depois. Em outubro daquele mesmo ano, já durante o governo Jair Bolsonaro e sob uma nova composição da diretoria da autoridade monetária, a aquisição foi aprovada, permitindo que Vorcaro assumisse o controle da instituição que mais tarde se tornaria o Banco Master.

Para fontes que acompanham o caso, esse histórico de relações políticas ajuda a explicar por que parte dos envolvidos passou a enxergar as movimentações recentes de Vorcaro com maior cautela.

Essa percepção ganhou ainda mais força após o esfriamento das negociações de colaboração. Fontes ligadas ao caso afirmam que nem mesmo a perspectiva de recuperação financeira por meio do acordo desperta hoje o mesmo interesse que existia anteriormente na Procuradoria-Geral da República.

Nesse contexto, fontes que acompanham o caso passaram a considerar que as vantagens de uma eventual delação diminuíram significativamente, ao mesmo tempo em que aumentou a percepção de que as sucessivas negociações podem estar servindo mais para ganhar tempo do que para efetivamente colaborar com as autoridades.





ICL Notícias

spot_img
spot_img