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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Após 20 anos de luta, assentamento Irmã Dorothy (RJ) é regularizado e famílias celebram conquista histórica — Brasil de Fato

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Após 20 anos de luta, as famílias do assentamento Irmã Dorothy, localizado em Quatis, no Sul Fluminense, conquistaram oficialmente a regularização pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na última terça-feira (15), com a assinatura dos contratos de concessão de uso (CCU).  A conquista marca um novo ciclo para as 45 famílias assentadas, que passam a ter reconhecido o direito ao uso da terra e a condições dignas de produção e moradia.

“Esse momento é símbolo da vitória de um povo que nunca se rendeu. Isso é mais que um documento, mais do que um papel que a gente pega na mão. É o reconhecimento de uma história construída com união, resistência e amor à terra. É importante lembrar que essa caminhada só foi possível porque o povo esteve organizado”, disse a dirigente regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no sul fluminense, Sté de Oliveira. 

Na ocasião, também foram assinados contratos de apoio inicial no valor de R$ 8 mil por família, com desconto de 90% no valor a ser restituído pelos beneficiários. A superintendente do Incra Maria Lúcia de Pontes explicou que outros créditos (como fomento, fomento mulher e habitação) poderão ser disponibilizados posteriormente, a partir de projetos elaborados junto às famílias assentadas.

“Vocês fazem parte de um processo de mudança da sociedade. Não é só receber um lote da reforma agrária, é construir uma vida diferente, com respeito ao meio ambiente, à comunidade, ao território. Isso é transformar a sociedade”, afirmou a superintendente, destacando que o documento prevê regras para o uso da terra sob pena de perda da concessão. 

Em agosto de 2025, foram escolhidas as famílias beneficiadas através de edital do Governo Federal – Foto: Fernanda Pierucci

A trajetória do assentamento começou com a ocupação da antiga Fazenda das Pedras por famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra Mansa. 

Ao todo, a área mede 1.033 hectares, o equivalente a mais de mil campos de futebol, divididos entre lotes e áreas de preservação ambiental. A ocupação foi feita em 2005 e a desapropriação e criação do Assentamento aconteceram somente 10 anos depois. Em agosto de 2025, foram escolhidas as famílias beneficiadas através de edital do Governo Federal. 

A deputada estadual Marina do MST (PT) acompanhou a formação do assentamento desde o início e articulou com o Incra a abertura do edital para escolha das famílias beneficiadas no local. Ela comemorou a entrega do documento justo no Dia da Mulher da Camponesa, criado pela Lei 10.034/23. 

“Foram 20 anos plantando e hoje vocês estão fazendo a colheita da primeira safra, digamos assim. Termina uma etapa, começa outra. A luta não para aqui, mas é uma conquista, talvez a mais importante de todas as lutas travadas até aqui”, disse a deputada Marina do MST. 

A deputada estadual Marina do MST acompanhou a formação do assentamento desde o início e articulou com o Incra a abertura do edital – Foto: Fernanda Pierucci

Marina lembrou ainda a importância da unidade para garantir conquistas como essa: “imagina se tivesse vindo uma pessoa sozinha ocupar essa terra e dizer ‘eu mereço’. Não teria conquista nenhuma. A luta tem que ser feita junto, tem que juntar braço com braço, mão com mão. Senão, não é possível conquistar, porque os nossos inimigos são muito fortes. Luta é resistência, é persistência.”, disse a parlamentar. 

O processo de seleção foi feito através de edital que analisou os pedidos de acordo com a composição familiar, a experiência com agroecologia e a presença no acampamento anterior à regularização – dentre outros critérios. 

Dentre as beneficiadas, está Ana Lucia Lopes de Carvalho, 50, que vive no assentamento há 14 anos. Agora, com o lote regularizado, Ana Lucia planeja plantar sua própria produção, criar os netos no local e garantir alimentos saudáveis para a família e para a população da cidade.

“Agora posso cantar a minha vitória. Vou plantar minha mandioca para fazer a minha farinha, ter meus coqueiros e tocar a minha vida no meu lote. Esse sempre foi o meu sonho”, contou. 

Ana Lucia Lopes de Carvalho, 50, que vive no assentamento há 14 anos – Foto: Fernanda Pierucci

Além das famílias assentadas, o edital contemplou outros inscritos que cumpriram a pontuação necessária, dentre eles Joaquim José Alves, conhecido como Scooby. Sua história se confunde com a própria história da fazenda: ele nasceu e foi criado no local, onde sua família trabalhou por gerações. 

“Minha família foi toda nascida aqui. Meus avós, meu pai… Eu também trabalhei com ele nessa fazenda. Hoje é um sonho realizado ter o meu lote. Quero plantar verdura, milho, mandioca e fazer meus queijos. É o que eu sempre quis, progredir com o que é meu”, contou. 

História de Joaquim José Alves, conhecido como Scooby, se confunde com a própria história da fazenda – Foto: Fernanda Pierucci

Além da documentação, também foi entregue um trator à associação de moradores, fruto de emenda parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT), ampliando as condições de produção no local.

“Gostaria de agradecer ao nosso querido deputado federal, Lindbergh Farias. Que esse trator traga prosperidade com a produção agroecológica, a produção de comida e a mata em pé”, disse a deputada Marina do MST. 

A entrega foi acompanhada por representação do mandato do deputado federal, além do vereador de Quatis William Carvalho (PSB) e de demais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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Fonte: Brasil de Fato

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