A empresa de inteligência artificial Anthropic afirmou, em comunicado nesta quinta-feira (26), que não concederá uso militar irrestrito de sua tecnologia ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos (EUA). A companhia vinha sendo pressionada pelo governo dos Estados Unidos a aceitar a condição.
“Estas ameaças não mudam nossa posição: não podemos, em consciência, atender à sua solicitação”, disse, em comunicado, Dario Amodei, diretor-executivo da empresa. Segundo ele, a companhia estabelece uma linha ética a respeito de seu uso para a vigilância em massa de cidadãos americanos e para armas totalmente autônomas.
“O uso desses sistemas para a vigilância doméstica em massa é incompatível com os valores democráticos”, afirmou o executivo.
Segundo Amodei, os sistemas de IA de vanguarda ainda não são confiáveis o suficiente para controlar armas letais sem supervisão humana final.

O governo de Donald Trump deu prazo até 17h01 (19h01 em Brasília) desta sexta-feira (27) para que a empresa aceitasse o uso militar irrestrito da IA.
O Pentágono disse que, em caso de recusa, a startup enfrentaria uma ordem de cumprimento forçado sob a Lei de Produção de Defesa. A legislação, da época da Guerra Fria, concede ao governo dos Estados Unidos amplos poderes para obrigar a indústria privada a priorizar as necessidades de segurança nacional.
O Pentágono também ameaçou classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos, uma designação normalmente aplicada a empresas de países adversários e que poderia prejudicar seriamente a reputação da companhia.



