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segunda-feira, 27 julho, 2026
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Antes de escolher seu candidato, olhe para o clima

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Chegamos naquela época complicada de eleição, e na hora de escolher seu candidato, você costuma olhar para quê? Saúde, segurança, emprego, educação, economia? Tudo isso importa. Mas existe uma pergunta que precisa entrar nessa lista: qual é a proposta dele para o meio ambiente e para as mudanças climáticas?

Pode parecer uma questão distante. Para quem vive na Amazônia, não é. Os rios em períodos de seca extrema, a fumaça das queimadas, o calor intenso e os impactos sobre a saúde e a economia mostram que a mudança do clima já faz parte da nossa realidade. E se ela afeta sua vida, deveria também influenciar sua escolha política.

O Brasil assumiu o compromisso de reduzir entre 59% e 67% suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em comparação com 2005. Mas metas nacionais só se tornam realidade quando chegam aos territórios e às decisões políticas. (gov.br). Veja o que aconteceu recentemente no Pará. A Câmara dos Deputados aprovou e, depois, o Senado também aprovou o projeto que reduz em cerca de 486 mil hectares a área da Floresta Nacional do Jamanxim, transformando essa parcela em Área de Proteção Ambiental. A proposta agora segue para sanção. (camara.leg.br)

Talvez você pense: “Mas isso é no Pará. O que eu tenho a ver com isso?”. Tudo. A Amazônia não é apenas uma área verde no mapa. Ela está ligada à água, ao clima, à biodiversidade, à economia e à qualidade de vida. Por isso, na próxima eleição, não olhe somente para o que seu candidato promete. Olhe também para o que ele votou, apoiou ou deixou de apoiar.

Quando falar em desenvolvimento, pergunte: desenvolvimento para quem e preparado para qual futuro? Quando prometer empregos, pergunte se está atento à economia de baixo carbono. Quando falar em infraestrutura e saúde, pergunte se existem planos para enfrentar secas, enchentes, calor extremo e os demais impactos climáticos.

É aqui que ESG deixa de ser apenas uma sigla corporativa e passa a ser também uma lente para enxergar a política.

O E, de ambiental, nos faz perguntar o que está sendo feito diante da crise climática e da perda de biodiversidade. O S, de social, nos lembra que os impactos não são iguais para todos — quem tem menos recursos geralmente tem menos condições de se proteger de uma enchente, de uma seca ou de uma onda de calor. E o G, de governança, talvez seja o mais importante na hora do voto: quem está tomando decisões com transparência, responsabilidade, planejamento e visão de longo prazo?

Afinal, uma decisão política tomada hoje pode durar décadas.

Uma área protegida que muda de categoria. Uma floresta que perde proteção. Uma cidade que não se prepara para eventos extremos. Um sistema de saneamento que não avança. Uma política de resíduos que não sai do papel. Um orçamento que deixa de priorizar prevenção para pagar a conta do desastre depois.

Tudo isso também é política climática. Na verdade, TUDO É POLÍTICA!

E talvez você nunca tenha pensado no seu voto dessa maneira.

Seu voto não escolhe apenas quem vai governar o presente. Escolhe também quem terá poder para decidir sobre o futuro da Amazônia e sobre a qualidade de vida que teremos amanhã.

Então, antes de apertar “confirma”, olhe para seu candidato e pergunte: ele está preparado para governar o mundo que estamos construindo — ou continua fazendo promessas para um mundo que já não existe?

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