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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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Anistia é adiada mais uma vez, mas Motta faz alerta a deputados

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Por Cleber Lourenço

A reunião de líderes da Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (2), mudou de endereço de última hora e ganhou contornos mais políticos do que o previsto. Em vez de acontecer no gabinete da presidência, o encontro foi transferido para a residência oficial do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A alteração pegou de surpresa parte dos parlamentares e foi lida como um gesto de Motta para manter maior controle sobre a conversa, longe da movimentação intensa dos corredores da Câmara. O encontro começou por volta das 15h e, embora houvesse especulações sobre a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ele não apareceu. A ausência foi notada e comentada por deputados que aguardavam eventual posicionamento público do governador em torno do tema da anistia.

Na mesa, o recado foi claro: nem o chamado pacote da impunidade, nem a lei da anistia serão pautados nesta semana. Apesar disso, segundo relatos de participantes à reportagem do ICL Notícias, Motta fez questão de ressaltar que o assunto não poderá ser indefinidamente postergado.

“Em algum momento o plenário terá de votar a matéria”, disse aos presentes, num alerta de que o desgaste pode ser apenas adiado, mas não evitado. O tom da fala foi interpretado como um aviso tanto para aliados quanto para a oposição de que não haverá escapatória quando o ambiente político estiver menos instável.

Anistia é adiada mais uma vez, mas Motta faz alerta a deputados

Entre os líderes do Centrão e da própria base do governo, a avaliação foi quase unânime: se o projeto fosse submetido ao plenário hoje, seria rejeitado por ampla margem. Isso porque a base governista e partidos independentes identificaram que não há número suficiente de votos para sustentar a proposta. Deputados apontam que, além da divisão entre bancadas, a pressão da opinião pública após o avanço do julgamento no Supremo tem pesado no cálculo político. A orientação foi, portanto, ganhar tempo.

A tendência, de acordo com interlocutores, é que a discussão retorne com força após o dia 12, quando o Supremo Tribunal Federal deverá encerrar o julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados são réus por tentativa de golpe.

A leitura é de que o resultado da Corte influenciará diretamente o ambiente do Congresso, tornando mais claro se haverá espaço político para a tramitação de uma proposta de anistia. Deputados relataram que, até lá, qualquer movimentação seria considerada precipitada e poderia resultar em derrota fragorosa.

Discurso sobre a anistia

Outro fator que tornou o quadro mais delicado foi o desembarque da Federação União Brasil Progressistas do campo governista. Ao se afastar da base, a federação abriu margem para apoiar abertamente a anistia, dando novo fôlego ao discurso oposicionista. Alguns parlamentares enxergam essa movimentação como parte de uma estratégia de fôlego: ao sinalizar apoio ao tema, a oposição ganha tempo para articular votos e criar condições favoráveis a uma eventual aprovação. O cálculo, segundo deputados próximos das negociações, é que o debate seja amadurecido até a volta ao plenário.

Entre líderes de diferentes campos, o consenso é que não há condições políticas para avançar de imediato. A estratégia é adiar sem abandonar: manter negociações vivas, sondar posições de partidos e buscar construir maioria, ainda que a passos lentos. O alerta de Motta ecoou como lembrete de que a Câmara não conseguirá escapar da responsabilidade de enfrentar a pauta em algum momento, ainda que isso ocorra em ambiente de maior desgaste para a oposição ou de maior cautela para o governo.

A reunião desta terça-feira, portanto, não encerrou o assunto, mas apenas adiou uma definição que promete marcar os próximos embates entre governo, Centrão e oposição. O silêncio de Tarcísio e o recado de Motta deram o tom de que a pauta seguirá como uma sombra sobre o Congresso, à espera do momento oportuno para voltar ao centro do debate.



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