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segunda-feira, 16 fevereiro, 2026
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André Esteves se vê forçado a comprar o Master por estratégia jurídica de Vorcaro

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Sócio controlador do BTG, em conversas reservadas com sua área jurídica, o banqueiro André Esteves tem reagido indignado com as notícias que o põem como estrategista-chefe do processo de exposição pública das relações contratuais de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central.

Esteves determinou uma blitzkrieg de desmentidos, explicações e contextualizações dos fatos na manhã desta segunda-feira, 29 de dezembro, um dia antes da acareação convocada pelo ministro Dias Toffoli, entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sócio controlador do Master até a liquidação pelo BC, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) que forjou uma operação de R$ 12,2 bilhões em créditos com ativos podres ou inexistentes para o Master a fim de evitar a liquidação e Aílton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central.

Vice-presidente do BTG, encarregado da estruturação jurídica das respostas da instituição às ações judiciais e também sócio minoritário do banco, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, acompanha tudo de perto. André Esteves quis comprar a parte “boa” do Master antes da liquidação e rejeitava quaisquer possibilidades de adquirir os ativos podres do banco de Vorcaro.

Entre esses ativos estão as operações sem lastro na concessão de créditos consignados e de remuneração de Certificados de Depósitos Bancários a taxas superiores a 140% do CDI (Certificado de Depósitos Interbancários). No rol de fundos mal administrados pelo Master de Vorcaro estão também títulos que se confundem e se misturam com operações tocadas por gestores oriundos de uma zona cinza do mercado financeiro, alguns deles ligados ao crime organizado e ao narcotráfico. Esteves, obviamente, não quer e nunca quis contaminação com esse submundo.

ACAREAÇÃO É VISTA COMO PRÓ-VORCARO

Um dos advogados ligados aos escritórios que defendem Daniel Vorcaro afirma que a acareação solicitada por Dias Toffoli tem de ocorrer porque ela se destina a descontaminar o acervo de provas reunidas nas buscas e apreensões realizadas pela Operação Compliance Zero, de 18 de novembro de 2025. Nela, Daniel Vorcaro, seu sócio Augusto Lima, e diretores do Master foram presos.

Os celulares e notebooks pessoais de Vorcaro e de Lima foram apreendidos e tiveram seus sigilos quebrados. Neles, surgiu um vasto manancial de informações probatórias de operações irregulares, de relações políticas dos ex-controladores do Master em Brasília e com alguns governos estaduais e também minutas de contratos, contratos e ordens de pagamento com escritórios de advocacia. Alguns desses escritórios têm sócios que mantêm relações com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Entre as relações esquisitas, suspeitas, exageradamente próximas ou inadvertidamente pouco cautelosas que sobressaem da quebra de sigilo telemático dos diretores e sócios do Master estão trocas de mensagens e comentários sobre as divergências entre Renato Pessoa, diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, e Aílton Aquino, diretor de Fiscalização, em torno dos fatos que levaram à liquidação do banco. Também estão trocas de mensagens com políticos como o senador Ciro Nogueira, principal fiador político de Vorcaro, com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também chancelador de operações do Master em prefeituras e governos administrados por filiados à sigla, e com os governadores Ibaneis Rocha (MDB, DF), Tarcísio de Freitas (Republicanos, SP), Cláudio Castro (PL, RJ) e Romeu Zema (Novo, MG).

O mais explosivo subarquivo surgido nos celulares e notebooks de Vorcaro, de Lima e de seus sócios, além de terem sido apreendidos nos papeis recolhidos na sede do Master, estão os contratos e as minutas de contrato do banco liquidado com escritórios de advocacia. Se a acareação ocorrer mesmo na manhã do dia 30 de dezembro, esses documentos poderão vir à tona e serem citados pelos condutores da audiência. O Ministério Público já os tem, e por isso reluta em concordar com o expediente solicitado por Dias Toffoli.

 

RELAÇÕES COM FAMILIARES DE 3 MINISTROS DO STF

Os escritórios que defendem formalmente Vorcaro e seu ex-banco nessa via-crúcis em que estão metidos desde a Operação Compliance Zero são os de Walfrido Warde, o Bottini&Tamausauskas, o de Roberto Podval e o do criminalista mineiro Marcelo Leonardo. Porém, em sua escalada ascendente para dentro do Estado brasileiro e seus intestinos financeiros, Daniel Vorcaro fez o Master firmar contratos com Roberta Gurgel, ex-mulher do ministro do STF Dias Toffoli, quando ela era uma das sócias do escritório de Warde. Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, firmou contrato de defesa do Master sem causa específica no tempo das vacas gordas e das grandes empulhações da instituição no mercado financeiro. Por fim, a advogada Karine Nunes Marques, irmã do ministro Kássio Nunes, colega de Moraes e de Toffoli, integrou a esquadra de defesa do ex-banco de Vorcaro.

“Esses contratos, essas minutas, existem e virão à tona em breve. É por isso que querem dar uma solução rápida para o caso Master que satisfaça o Vorcaro e cale a boca dele em relação a essas coisas”, disse na manhã de ontem um porta-voz do sistema financeiro que é amigo pessoal dos três ministros do STF cujos parentes têm ou tinham contratos com a instituição liquidada pelo BC. André Esteves se sente empurrado a ter de comprar o Master como comprou o Banco Panamericano, de Sílvio Santos, em 2010. Ali, na troca de governos de Lula para Dilma Rousseff, ele assumiu a instituição da família dona do SBT e recebeu chancela pública para levantar uma operação de crédito de R$ 2 bilhões com dinheiro público. Como não foi uma liquidação extrajudicial, os controladores do Panamericano, que estava quebrado, puderam seguir com o status de “banqueiros” e seguiram operando no mercado. É o que Vorcaro quer: seguir com status de banqueiro e liberado para continuar no mercado.

Tudo o que André Esteves não quer é se ver empurrado para uma operação de salvamento de Daniel Vorcaro, empresário que não admira e dono de práticas operacionais que não respeita, porque esse é o target dos escritórios de advocacia que o defendem. Esteves até admite que é dado a falar demais nos encontros com políticos, que é desastrado no contato com os poucos jornalistas com os quais conversa, porém, rechaça indignadamente o que considera desinformação com propósito específico: dizer que ele é a personagem que detrata Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, em Brasília e na imprensa. “Isso não é verdade e seria imensa burrice de quem sempre buscou estar bem com o governo. Com qualquer governo, sempre”, diz um dos diretores do BTG.

 



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