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quinta-feira, 29 outubro, 2026
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Ameaças contra povos indígenas são investigadas em MS

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Áudios registram ameaças contra povos indígenas em Tacuru

Áudios com ameaças contra povos indígenas em Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul, levaram o Ministério Público Federal (MPF) a cobrar providências da prefeitura. As gravações incluem uma fala sobre colocar veneno na água consumida pela comunidade indígena. As denúncias ganharam repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.

Tacuru fica próximo à fronteira com o Paraguai e tem população estimada em 11.248 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No município está localizada a Aldeia Sassoró, território do povo Guarani Kaiowá. 

 

O material audiovisual divulgado contém declarações hostis contra indígenas e referências ao resultado eleitoral. Em um dos trechos, um homem menciona a possibilidade de envenenar a água. 

Em 28 de outubro, o MPF informou que instaurou procedimentos para investigar denúncias de ataques, hostilidades e intimidações contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. As apurações começaram após relatos encaminhados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). 

MPF cobra explicações da prefeitura sobre as ameaças

No caso de Tacuru, o MPF estabeleceu prazo de 48 horas para que a prefeitura esclareça as providências adotadas. O órgão também solicitou informações sobre a apuração da autoria e da autenticidade dos áudios.

Além disso, a administração municipal deve informar quais medidas estão sendo tomadas para proteger os indígenas e assegurar a continuidade dos serviços públicos essenciais prestados às comunidades.

O MPF recomendou a abertura de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar de servidores municipais caso sejam identificados indícios consistentes de envolvimento nas ameaças. A recomendação não equivale a uma condenação nem comprova a participação de qualquer servidor.

A investigação deverá esclarecer quem gravou ou divulgou os áudios, quem aparece nas conversas e em que circunstâncias as declarações foram feitas. Também será necessário verificar se houve alguma ação concreta contra a comunidade.

Até o momento das informações divulgadas pelo MPF, não havia confirmação de que a água consumida pelos indígenas tivesse sido envenenada. A suspeita permanece sob apuração. 

Ameaças contra indígenas ocorrem em meio a conflitos no estado

As denúncias de Tacuru surgiram em um contexto de outros episódios de violência e insegurança envolvendo comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

Em abril de 2026, uma operação policial na região de Amambai terminou com seis prisões. Na ocasião, o Ministério dos Povos Indígenas apontou indícios de uso excessivo da força e possíveis irregularidades na atuação policial. As denúncias precisavam ser investigadas para determinar eventuais responsabilidades individuais.

Em maio, o vice-cacique Givaldo Santos Kaiowá foi encontrado morto às margens da rodovia MS-289. O assassinato provocou manifestações de indígenas, que cobraram investigação e responsabilização dos envolvidos.

Já em setembro, integrantes da comunidade Guarani Kaiowá denunciaram disparos de armas de fogo, incêndios de moradias, destruição de pertences e uso de gás lacrimogêneo no território Tekoha Tapy’i Kora, em Amambai. Os relatos foram divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Investigação deve esclarecer autoria e contexto dos áudios

A divulgação das gravações colocou em evidência a necessidade de apurar as ameaças e garantir a segurança dos moradores da Aldeia Sassoró. O conteúdo também exige atenção à diferença entre manifestações verbais, ameaças concretas e eventuais atos de violência.

A liberdade de escolha política é um direito de todos os cidadãos. Portanto, divergências eleitorais não justificam intimidação ou discriminação contra comunidades indígenas.

O MPF segue apurando as denúncias em Tacuru. A identificação dos responsáveis e a eventual responsabilização dependerão das provas reunidas durante a investigação.

Até que as apurações avancem, as declarações registradas nos áudios devem ser tratadas como material sob investigação. Da mesma forma, a suspeita de envenenamento não deve ser apresentada como contaminação comprovada.



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