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sábado, 12 setembro, 2026
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Ameaça racista de massacre contra crianças mobiliza escolas de Florianópolis

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Por Felipe Rabioglio

Um e-mail com ameaças de massacre contra crianças e conteúdo explicitamente racista colocou em alerta a rede municipal de ensino de Florianópolis nesta sexta-feira (11). Na mensagem, enviada a unidades educacionais da cidade, o autor afirma que pretende matar crianças e aponta uma professora negra como seu “alvo principal”.

O texto também contém ameaças de morte contra o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PODE-SC), e sua família. No assunto do e-mail, o responsável afirma estar “contando as balas” e ameaça transformar a rua em um “banho de sangue”.

A Prefeitura confirmou ao ICL Notícias que o e-mail foi disparado para algumas unidades, mas não foi endereçado especificamente a nenhuma delas. A Secretaria de Comunicação de Florianópolis informou que possíveis suspeitos já foram identificados, mas ninguém havia sido preso até a publicação desta reportagem.

A Polícia Militar de Santa Catarina confirmou que foram visitadas todas as escolas municipais e estaduais do Norte da Ilha, com policiamento ostensivo, dando segurança aos alunos, professores e pais. Já a mensagem e o autor estão sendo investigados pela Polícia Civil.

Racismo em ameaça

A ameaça tem conteúdo racista explícito. O autor cita uma professora negra como seu “alvo principal” entre as pessoas que pretendia atacar.

O episódio provocou preocupação entre as famílias em um dia em que as aulas do período da tarde da rede municipal já haviam sido suspensas por causa das chuvas.

Elas foram canceladas supostamente em razão das chuvas e do alerta emitido pela Defesa Civil, e não em consequência do e-mail com as ameaças.

Uma mãe que terá sua identidade preservada relatou que os primeiros avisos recebidos pela família estavam relacionados justamente às condições climáticas. A informação sobre a ameaça chegou posteriormente, por meio de um conselho de pais de uma das unidades.

“A gente recebeu os alertas para buscar as crianças com a informação sobre os eventos climáticos previstos. Mas meu marido integra o conselho de pais da creche da minha filha e lá eles compartilharam a informação sobre o e-mail que ameaçava os atentados”, relatou.

(Foto: Reprodução / Instagram)

Contrapontos:

O ICL Notícias procurou a Polícia Civil de Santa Catarina, que informou realizar monitoramento permanente de ameaças contra escolas e creches no estado. A corporação, porém, não comentou o caso específico nem informou quais medidas foram adotadas, sob a justificativa de preservar o trabalho de inteligência e investigação.

Em nota enviada ao ICL Notícias, a Prefeitura de Florianópolis afirmou:

“A Prefeitura de Florianópolis informa que já tomou conhecimento das ameaças. Desde o primeiro momento, o caso vem sendo tratado com prioridade e responsabilidade.

Já foram identificados possíveis suspeitos, e as forças de segurança realizam diligências para localizá-lo e adotar as medidas legais cabíveis. A atuação ocorre de forma integrada entre a Guarda Municipal, a Polícia Militar e a Polícia Civil.

Como medida preventiva, a segurança foi reforçada em todas as unidades educativas, com ampliação das rondas e orientação para o cumprimento dos protocolos de segurança.

Qualquer atitude suspeita deve ser comunicada imediatamente à Guarda Municipal pelo 153 ou à Polícia Militar, pelo 190.”

O Comitê de Famílias pela Educação Pública de Florianópolis também se manifestou sobre o caso e informou ter solicitado esclarecimentos ao secretário municipal de Educação, Eduardo Gutierrez.

“Uma situação gravíssima exige respostas! O Comitê de Famílias pela Educação Pública de Florianópolis tomou conhecimento de uma mensagem contendo ameaças violentas dirigidas a crianças, famílias e uma professora da Rede Municipal de Ensino. Diante da gravidade, já solicitamos oficialmente esclarecimentos ao secretário municipal de Educação, Eduardo Gutierrez, e seguimos aguardando uma resposta.

Defendemos que a comunidade escolar seja protegida e que a população tenha acesso às informações e aos encaminhamentos adotados, com transparência, responsabilidade e urgência.

Escola é lugar de vida, respeito e aprendizagem. Discurso de ódio e violência não podem fazer parte das nossas escolas.

Infâncias seguras. Presente possível. Futuro justo.”

Até a publicação desta reportagem, ninguém havia sido preso. As forças de segurança seguem em diligências para identificar e localizar o responsável pelo envio das ameaças.





ICL Notícias

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