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quinta-feira, 13 agosto, 2026
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Amazonas tem pior resultado do país no Ideb do Ensino Médio em 2025

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Amazonas terminou em último lugar entre os estados brasileiros no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio, empatado com Roraima. O Estado alcançou 3,8 pontos, enquanto a média nacional foi de 4,5.

O resultado coloca a educação pública do Amazonas diante de um dos cenários mais preocupantes do país. Apesar de algumas escolas apresentarem desempenho acima da média nacional, o resultado geral mostra que os avanços ainda não foram suficientes para melhorar a posição do Estado no ranking nacional.

Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), referentes a 2025, foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) no início de agosto. O Ideb combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, medido pelo Saeb, com as taxas de aprovação escolar.

Governo destaca participação no Saeb

Em nota enviada à imprensa, o Governo do Amazonas destacou o aumento da participação dos estudantes na avaliação e afirmou que os resultados “confirmam avanços significativos na participação dos estudantes e na consolidação da qualidade educacional da rede estadual”.

Segundo o governo, a participação geral no Saeb passou de 91% em 2023 para 94,3% em 2025. No Ensino Médio, a participação aumentou de 86,9% para 91,7%.

O governo também ressaltou o crescimento do número de escolas avaliadas. No Ensino Médio, foram 309 unidades em 2025, contra 272 em 2023.

Sobre o Ideb da rede estadual, o governo informou que o índice dos anos iniciais do Ensino Fundamental passou de 5,9 para 6,1. Nos anos finais, ficou em 4,7. Já no Ensino Médio, a rede estadual registrou 3,7 pontos, segundo os dados apresentados na nota oficial.

A administração estadual classificou o resultado do Ensino Médio como “estabilidade após avanços recentes”.

Estabilidade não muda última colocação

Embora o aumento da participação dos estudantes seja um indicador positivo, ele não altera o principal resultado da avaliação: o Amazonas continua na última colocação nacional no Ideb do Ensino Médio.

A diferença entre os números da rede estadual apresentados pelo governo e o resultado geral do Estado divulgado no ranking não muda o cenário. A média amazonense permanece muito abaixo da média nacional.

A própria nota do governo também destaca que 51,8% das escolas de Ensino Médio apresentaram crescimento no Ideb. O dado mostra que há unidades avançando, mas também levanta uma questão sobre a capacidade da política educacional de transformar esses resultados pontuais em melhoria para toda a rede.

Escolas do Amazonas superam média nacional

Entre as 38 escolas que registraram desempenho acima da média nacional, duas alcançaram 6,0 pontos: a Escola Estadual Professora Jacimar da Silva Gama e a EETI Marcantonio Vilaça II, ambas em Manaus.

O IFAM Campus Avançado Manacapuru registrou 5,7 pontos, seguido pela Escola Estadual Maria Amélia do Espírito Santo, com 5,5.

Também aparecem com 5,3 pontos a Escola Estadual Lucas Pena, em Boca do Acre; a Escola Estadual Marcantonio Vilaça e a Escola Estadual Áurea Pinheiro Braga, em Manaus; e o Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Parintins.

Os resultados mostram que existem experiências capazes de alcançar desempenho superior à média nacional dentro do próprio Amazonas. O desafio para o poder público é identificar essas práticas e fazer com que elas sejam reproduzidas em outras unidades.

Saeb aponta dificuldades de aprendizagem

Os resultados do Saeb também apontam dificuldades dos estudantes amazonenses para compreender textos mais complexos e resolver problemas de Matemática que envolvem porcentagem, funções e proporcionalidade.

Entre os menores resultados do Estado estão o Centro de Educação Indígena Uarini, com 1,9 ponto, e a Escola Estadual Sagrada Família, em São Gabriel da Cachoeira, com 0,8.

O cenário mostra que o problema não está apenas na posição do Amazonas no ranking. Há dificuldades concretas de aprendizagem que atingem diferentes regiões e escolas.

O que diz o Governo do Amazonas

Em nota, o Governo do Amazonas afirmou que os resultados do Saeb 2025 refletem “o esforço conjunto de professores, diretores, estudantes e famílias” e que a alta participação e os avanços registrados no Ideb demonstram que a rede estadual “está no caminho certo para garantir aprendizagem de qualidade e equidade educacional em todas as regiões do estado”.

O governo também destacou que 67% das escolas dos anos iniciais apresentaram evolução no Ideb e que, no Ensino Médio, 51,8% registraram crescimento.

A nota, no entanto, não apresenta uma meta específica para retirar o Amazonas da última colocação nacional no Ensino Médio, nem detalha um plano emergencial para enfrentar as dificuldades de aprendizagem apontadas pelo Saeb.

Educação ainda exige respostas

Os números positivos destacados pelo governo não devem ser ignorados. A participação maior dos estudantes e o crescimento de parte das escolas são indicadores relevantes.

Mas, diante do resultado final, o principal desafio permanece: o Amazonas precisa melhorar a aprendizagem dos estudantes e deixar a última posição entre os estados brasileiros no Ensino Médio.

Mais do que comemorar a estabilidade de um indicador ou o desempenho de parte das escolas, o resultado exige do poder público metas claras, acompanhamento dos resultados e políticas capazes de levar os melhores desempenhos para toda a rede estadual.

A avaliação mostra que há escolas no Amazonas capazes de alcançar resultados próximos ou superiores à média nacional. A pergunta que fica é: quando esse desempenho deixará de ser exceção e passará a ser realidade para a maioria dos estudantes amazonenses?

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