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sábado, 17 outubro, 2026
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Alvo de polêmica, Meta é a empresa que mais arrecadou na eleição do Brasil

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Por Bruno Ribeiro

(Folhapress) – Alvo de acusações do PT, de pesquisadores e de entidades civis de favorecer a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), a Facebook Serviços Online do Brasil, da Meta, dona também do Instagram e do WhatsApp, é a empresa que mais recebeu dinheiro de campanhas nas eleições brasileiras deste ano.

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do início da campanha, em agosto, até a quarta-feira (14), a empresa havia recebido R$ 282,4 milhões das contas das candidaturas.

O valor pode ser ainda maior. A segunda colocada, a DLocal, uma empresa de pagamentos recebeu outros R$ 99 milhões para impulsionamento de conteúdo, que também é feito nas redes sociais da Meta. A terceira, com R$ 31 milhões, é a Delta3 Comunicação, empresa de Raul Rabelo, que trabalha para Lula (PT) e é sócio do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

Flávio, que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula, lidera os repasses ao Facebook. Ele declarou 13 pagamentos à empresa, entre 8 e 30 de setembro, que somaram R$ 7,5 milhões. Lula vem em segundo, com R$ 2,6 milhões. As despesas ainda são parciais.

O impulsionamento é o serviço pelo qual a Meta cobra dos candidatos para exibir suas publicações a mais usuários das redes sociais. Os candidatos podem direcionar essas mensagens a públicos específicos, e a empresa mantém uma página, a Biblioteca de Anúncios, com algumas informações sobre os impulsionamentos, mas sem dados exatos.

Flávio, por exemplo, pagou “entre R$ 60 mil e R$ 70 mil”, segundo a Biblioteca de Anúncios, para impulsionar um vídeo em que o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pede votos para ele e o elogia, no domingo (11). A mensagem continua a ser impulsionada.

A página informa que 26% do público que viu a propaganda eram homens de 25 a 44 anos, faixa em que o senador concentra parte relevante de seu eleitorado, mas que 11% eram mulheres acima de 65 anos, segmento em que, segundo o Datafolha, Lula vai melhor.

Já o petista pagou “entre R$ 15 mil e R$ 20 mil” para impulsionar, nesta semana, um vídeo em que compara imagens de uma criança com uma arma na mão comemorando a vitória de Flávio no primeiro turno —caso que repercutiu nas redes sociais— com imagens de outra criança segurando uma Constituição.

No caso de Lula, 26% do público que recebeu a mensagem também eram homens de 25 a 44 anos, eleitorado em que Flávio vai melhor.

A análise das dez candidaturas que mais pagaram diretamente à Meta mostra que essa despesa não garante vitória. Flávio e Lula estão no segundo turno; dos outros oito, três foram eleitos e cinco, derrotados.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), derrotado no primeiro turno em São Paulo por Tarcísio, gastou quase o mesmo que Lula —R$ 2,5 milhões— e terminou a disputa com 36,4% dos votos válidos no estado. Ele é o terceiro que mais repassou diretamente à Meta, segundo o TSE. Tarcísio, contudo, gastou valor equivalente para impulsionamento de conteúdos, declarados à DLocal.

Ciro Gomes (PSDB), que tentou o Governo do Ceará, obteve 46,2% dos votos, insuficientes para derrotar Elmano de Freitas (PT), que também venceu no primeiro turno.

Aécio Neves (PSDB) e Alexandre Curi (Republicanos), candidatos ao Senado por Minas Gerais e pelo Paraná, respectivamente, também estão no ranking e não foram eleitos. Aécio gastou R$ 2 milhões com impulsionamento; Curi, R$ 1,4 milhão. Wellington Fagundes (PL) repassou R$ 1,5 milhão à Meta para sua campanha em Mato Grosso, mas foi superado por Otaviano Pivetta (Republicanos) no primeiro turno.

O deputado federal reeleito Célio Studart (PSD-CE) declarou pagamentos de R$ 2,4 milhões ao Facebook e foi o 13º parlamentar mais votado no estado. Lindbergh Farias (PT-RJ), terceiro mais votado no Rio para a Câmara, declarou R$ 1,6 milhão. Carolina de Toni (PL), eleita para uma das cadeiras de Santa Catarina no Senado, também gastou R$ 1,6 milhão.

Meta é a empresa que mais arrecadou na eleição do Brasil. (Foto: Reprodução)

Os algoritmos da Meta são fechados, e não há transparência sobre como conteúdos não impulsionados são distribuídos. Como a Folha mostrou, a campanha do PT acusa a empresa de ter favorecido Flávio ao retirar do ar, sem explicação, conteúdos petistas. A empresa negou as acusações na ocasião. O Ministério Público Federal abriu uma apuração sobre o caso.

Outra suspeita de irregularidade, apontada pelo NetLab (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é que a empresa tenha veiculado anúncios políticos pagos no exterior, prática proibida pela legislação eleitoral. A empresa afirmou que os anúncios foram identificados e regularizados ou apagados.

Um relatório publicado pela ONG Sleeping Giants Brasil identificou indícios de que o algoritmo da Meta favoreceu, na aba de reels, perfis bolsonaristas como o do deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), que obteve mais visualizações do que celebridades internacionais como Selena Gomez, Ariana Grande, Kim Kardashian e Beyoncé.

Nesta sexta-feira (16), reportagem da Folha baseada em relatórios internos da Meta mostrou que funcionários da empresa sabiam que o sistema havia adotado restrições que limitaram a campanha de Lula.

A Folha procurou a empresa para comentar a receita com impulsionamento nas eleições e as suspeitas de práticas que teriam favorecido Flávio e prejudicado Lula. A empresa disse que não comentaria.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Meta afirmou que não está interferindo nas eleições brasileiras e disse que os episódios relatados em reportagem foram “incidentes técnicos”.

“O incidente afetou milhares de anunciantes em diferentes países e terminou depois que a atualização de código foi revertida, nas primeiras horas de 10 de outubro.”

 





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