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segunda-feira, 7 setembro, 2026
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ALÔ, ALÔ, RESPONDE

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Capa da Lista Telefônica da Telamazom Obra de Roland Stevenson

Eram mais de 100 mil em todo o Brasil. Manaus chegou a ter 6.900 deles.

Agora não passam de alguns poucos milhares espalhados pelo Brasil, esperando a retirada prometida pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, marcada para até 2028.

Em Manaus, além do maltratado orelhão da foto, fincado em uma calçada estreita da rua Alexandre Amorim no bairro Aparecida atrapalhando os pedestres, ainda existem 16 ativos espalhados sabe Deus por onde.

Em algumas cidades do interior do Amazonas alguns orelhões ainda dão sinal para ligações locais e até à cobrar pelo 9090 (quem ainda lembra?)

Criado em 1971, o Orelhão facilitou muito a vida do brasileiro, democratizando a interlocução à distância.

Sim, porque antes dele, quem possuía uma linha telefônica tinha um tesouro nas mãos.

Tão difícil era conseguir uma linha que o telefone fixo particular acabou transformando-se em item de espólio e herança de família.

A telefonia no Amazonas foi administrada pela Camtel -Companhia Amazonense de Telecomunicações nos anos 50/60, substituída pela Telamazon- Telecomunicações do Amazonas S.A., operadora do sistema Telebrás, que passou a editar a Lista Telefônica da cidade cuja capa era resultado de um concurso entre os artistas plásticos amazonenses ou residentes no Estado.

Aparecer com uma obra na capa da Lista da Telamazon tornou-se objeto de disputa criativa entre os novos e os artistas já consagrados. O prêmio era bom e a projeção midiática do artista era um impulso valioso em direção à notoriedade

O chileno residente em Manaus Roland Stevenson foi capa duas vezes em 1980/1990; Rui Machado também ganhou duas vezes o prêmio; Anísio Mello, Manuel Izidro, Edemberg Jr. e outros…

Porém, o privilégio de possuir uma linha privada ao qual só as elites tinham acesso caiu por terra em 1971 com a implantação do telefone público, cujo design em forma oval ou de concha, foi criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, formada pela Faculdade de Arquitetura Mackenzie, de São Paulo.

A concha ou o ovo, são formas que valorizam a privacidade do usuário assim como isolam a conversa dos sons exteriores vindos da rua, favorecendo a acústica em seu interior. Fabricados em fibra de vidro o Orelhão foi exportado para outros países.

Os Orelhões agora obsoletos e em vias de total extinção despedem-se Manaus sem choro nem vela. Pelo visto sem deixar rastro da sua utilidade pública e do mobiliário urbano de uma época.

  • O título desta crônica é o primeiro verso da marchinha “Alô…alô?” de André Filho, sucesso no carnaval de 1933 na voz de Carmen Miranda e Mário Reis.
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