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terça-feira, 18 agosto, 2026
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Aliado dos Bolsonaro que atacou urnas é preso por suspeita de tentativa de feminicídio

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Por Cleber Lourenço

 

O consultor político argentino Fernando Cerimedo, aliado da família Bolsonaro e personagem da ofensiva para desacreditar o resultado da eleição presidencial brasileira de 2022, foi preso nesta terça-feira (18) na Bolívia sob suspeita de envolvimento na tentativa de feminicídio da ativista Nadia Beller, sua ex-companheira.

Segundo a imprensa boliviana, Cerimedo foi detido no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, quando se preparava para viajar para Buenos Aires. Beller havia sido atingida por três disparos na noite anterior.

A prisão coloca novamente sob os holofotes um personagem que ganhou notoriedade no Brasil poucos dias depois da derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva.

Cerimedo foi um dos responsáveis pela propagação de alegações falsas de fraude nas urnas eletrônicas depois do segundo turno de 2022. Mais tarde, investigações brasileiras identificaram sua transmissão como parte da cadeia de disseminação das narrativas utilizadas para colocar sob suspeita o resultado eleitoral.

Em 4 de novembro de 2022, cinco dias depois da eleição, Cerimedo comandou uma transmissão pelo canal argentino La Derecha Diario na qual apresentou um suposto relatório que alegava a existência de anomalias na votação registrada em modelos de urnas fabricados antes de 2020.

A live alcançou centenas de milhares de espectadores e rapidamente circulou entre grupos bolsonaristas. A tese sustentava que modelos mais antigos das urnas teriam apresentado comportamento diferente daqueles fabricados em 2020, argumento usado para lançar suspeitas sobre os votos recebidos por Lula.

As alegações não apresentavam provas de fraude e foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. As diferenças estatísticas apontadas não demonstravam manipulação dos votos, e os equipamentos utilizados na eleição estavam sujeitos aos mesmos procedimentos de fiscalização e auditoria.

O alcance daquela transmissão, porém, ultrapassou as redes sociais.

As investigações sobre a tentativa de golpe identificaram a circulação do conteúdo entre integrantes do núcleo que atuava para desacreditar o sistema eleitoral. Durante a própria transmissão, o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida produziu mensagens destinadas a reforçar e espalhar a tese apresentada por Cerimedo.

Em uma delas, o militar demonstrou expectativa de que a divulgação do material tivesse impacto sobre os apoiadores de Bolsonaro que ocupavam áreas diante de quartéis e contestavam o resultado da eleição.

As teses divulgadas pelo argentino também guardavam semelhança com argumentos usados posteriormente pelo PL.

Em 22 de novembro de 2022, o partido de Bolsonaro pediu ao TSE que desconsiderasse os votos do segundo turno registrados em modelos de urnas anteriores a 2020. Na prática, a medida atingiria dezenas de milhões de votos e poderia alterar artificialmente o resultado da eleição.

O pedido foi rejeitado pelo então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, que classificou a iniciativa como litigância de má-fé e aplicou multa à coligação.

Cerimedo já mantinha relação com o bolsonarismo antes da ofensiva contra as urnas. Durante a campanha de 2022, recebeu Eduardo Bolsonaro em Buenos Aires pouco antes do segundo turno e afirmou ter colaborado com a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

A relação permaneceu depois da eleição. O argentino continuou circulando no ambiente político da direita latino-americana e mantendo interlocução com integrantes da família Bolsonaro.

Nos últimos anos, Cerimedo também ampliou sua atuação política pela América Latina. Participou da campanha que levou Javier Milei à Presidência da Argentina e passou a atuar politicamente na Bolívia.

É nesse contexto que surge agora a investigação sobre o ataque contra Nadia Beller.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa local, Beller foi baleada três vezes na noite de segunda-feira (17), em Santa Cruz de la Sierra. Cerimedo, seu ex-companheiro, passou a ser apontado como suspeito de envolvimento no atentado e acabou detido no dia seguinte quando estava no aeroporto de Viru Viru.

A investigação boliviana deverá agora esclarecer a participação atribuída ao argentino no ataque e as circunstâncias do crime. No Brasil, Cerimedo é conhecido justamente pelo papel que desempenhou na campanha de desinformação que tentou transformar a derrota eleitoral de Bolsonaro em suspeita de fraude e ajudou a alimentar a mobilização contra o resultado das urnas.





ICL Notícias

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