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O litoral sul da Paraíba será palco da 14ª edição do Encontro Nacional de Juremeiros e Benzedores que ocorre este sábado (18), a partir das 12h30, no município de Alhandra. O evento acontece no Centro Cultural Gilberto Valério e reúne juremeiros, benzedores, religiosos, pesquisadores, gestores públicos e simpatizantes da tradição juremeira. Com o tema “Jurema Sagrada: patrimônio vivo do povo”, o encontro celebra a cultura afro-indígena e fortalece estratégias de resistência contra o racismo e a intolerância religiosa.

Realizado pela Federação Cultural Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema – FCP Umcanju, e pela Associação de Juremeiros e Benzedores Reino do Bom Florar, com apoio de diversas entidades culturais e religiosas, a programação inclui palestras, homenagens, apresentações culturais e a tradicional procissão dos encantados, que percorre as ruas de Alhandra até o Reino do Bom Florar.
A Jurema Sagrada é uma tradição religiosa de matriz afro-indígena que tem em Alhandra seu berço histórico. Em 2025, foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do Estado da Paraíba, por meio de projeto de lei de autoria da deputada estadual Cida Ramos. O reconhecimento representa um marco na valorização das religiões de matriz africana e indígena, frequentemente alvo de preconceito e perseguição.
Durante o evento, será realizada uma mesa de debate com o tema “Jurema Sagrada: patrimônio vivo e direitos do povo”, com a presença de representantes do Ministério Público Federal, do Instituto Federal da Paraíba, do Instituto Federal do Amazonas, da Universidade Federal da Paraíba e da própria deputada Cida Ramos. O objetivo é discutir formas de garantir a salvaguarda da tradição juremeira e ampliar o apoio institucional às comunidades religiosas.
Cultura, fé e resistência
Entre as atrações culturais confirmadas estão os grupos Coco Mangangá e Maracatu Nação Pé de Elefante, que trazem ao palco expressões artísticas que dialogam com a ancestralidade e a força da Jurema Sagrada. A procissão dos encantados também é um dos momentos mais aguardados, onde os indivíduoes de fé reafirmam a espiritualidade e a conexão com os encantados, entidades cultuadas na tradição juremeira.

“O encontro de juremeiros serve para fortalecer o combate à intolerância religiosa e também a salvaguarda da religiosidade da Jurema Sagrada, que estava se perdendo há um tempo atrás em Alhandra, o berço mundial da jurema”, afirma pai Beto de Xangô, diretor-presidente da Federação de Umbanda Candomblé e Jurema, Uncanju, e guardião da jurema.
Inscrições, solidariedade e apoio institucional
As inscrições para o evento podem ser realizadas gratuitamente até o dia do encontro, por meio da plataforma Sympla. Também é possível contribuir com valores simbólicos de R$ 20 ou R$ 30, destinados à manutenção do Reino do Bom Florar, co-realizador do evento. Uma campanha solidária será promovida durante o encontro, com a arrecadação de 1 kg de alimento não perecível por participante.
O Encontro Nacional de Juremeiros e Benzedores conta com o apoio do Templo dos Doze Reinados da Jurema Santa Sagrada, do Museu Paraibano da Cultura Afro-Brasileira e Indígena (Mupay), da Associação Maracatu Nação Pé de Elefante, da Prefeitura Municipal de Alhandra e do Governo do Estado da Paraíba.
A força da Jurema na Paraíba
A Jurema Sagrada é uma das mais antigas expressões religiosas do Brasil, com raízes profundas nas tradições indígenas do Nordeste e influências africanas e europeias. Na Paraíba, especialmente em Alhandra, a jurema se consolidou como prática espiritual e cultural, transmitida oralmente por gerações de mestres, mestras e benzedeiras.
Durante décadas, a tradição foi marginalizada e perseguida, mas resistiu graças à força das comunidades. O reconhecimento como patrimônio cultural representa não apenas uma reparação histórica, mas também um compromisso com a preservação da diversidade religiosa e cultural do país.
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Fonte: Brasil de Fato



