32.3 C
Manaus
quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
InícioPolíticaAlhandra sedia 14º Encontro Nacional de Juremeiros e Benzedores da Jurema Sagrada...

Alhandra sedia 14º Encontro Nacional de Juremeiros e Benzedores da Jurema Sagrada — Brasil de Fato

Date:

[ad_1]

O litoral sul da Paraíba será palco da 14ª edição do Encontro Nacional de Juremeiros e Benzedores que ocorre este sábado (18), a partir das 12h30, no município de Alhandra. O evento acontece no Centro Cultural Gilberto Valério e reúne juremeiros, benzedores, religiosos, pesquisadores, gestores públicos e simpatizantes da tradição juremeira. Com o tema “Jurema Sagrada: patrimônio vivo do povo”, o encontro celebra a cultura afro-indígena e fortalece estratégias de resistência contra o racismo e a intolerância religiosa.

Card | Divulgação

Realizado pela Federação Cultural Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema – FCP Umcanju, e pela Associação de Juremeiros e Benzedores Reino do Bom Florar, com apoio de diversas entidades culturais e religiosas, a  programação inclui palestras, homenagens, apresentações culturais e a tradicional procissão dos encantados, que percorre as ruas de Alhandra até o Reino do Bom Florar.

A Jurema Sagrada é uma tradição religiosa de matriz afro-indígena que tem em Alhandra seu berço histórico. Em 2025, foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do Estado da Paraíba, por meio de projeto de lei de autoria da deputada estadual Cida Ramos. O reconhecimento representa um marco na valorização das religiões de matriz africana e indígena, frequentemente alvo de preconceito e perseguição.

Durante o evento, será realizada uma mesa de debate com o tema “Jurema Sagrada: patrimônio vivo e direitos do povo”, com a presença de representantes do Ministério Público Federal, do Instituto Federal da Paraíba, do Instituto Federal do Amazonas, da Universidade Federal da Paraíba e da própria deputada Cida Ramos. O objetivo é discutir formas de garantir a salvaguarda da tradição juremeira e ampliar o apoio institucional às comunidades religiosas.

Cultura, fé e resistência

Entre as atrações culturais confirmadas estão os grupos Coco Mangangá e Maracatu Nação Pé de Elefante, que trazem ao palco expressões artísticas que dialogam com a ancestralidade e a força da Jurema Sagrada. A procissão dos encantados também é um dos momentos mais aguardados, onde os indivíduoes de fé reafirmam a espiritualidade e a conexão com os encantados, entidades cultuadas na tradição juremeira.

Encontro contempla fé e resistência dos povos originários | Foto: Perazzo Jr

“O encontro de juremeiros serve para fortalecer o combate à intolerância religiosa e também a salvaguarda da religiosidade da Jurema Sagrada, que estava se perdendo há um tempo atrás em Alhandra, o berço mundial da jurema”, afirma pai Beto de Xangô, diretor-presidente da Federação de Umbanda Candomblé e Jurema, Uncanju, e guardião da jurema.

Inscrições, solidariedade e apoio institucional

As inscrições para o evento podem ser realizadas gratuitamente até o dia do encontro, por meio da plataforma Sympla. Também é possível contribuir com valores simbólicos de R$ 20 ou R$ 30, destinados à manutenção do Reino do Bom Florar, co-realizador do evento. Uma campanha solidária será promovida durante o encontro, com a arrecadação de 1 kg de alimento não perecível por participante.

O Encontro Nacional de Juremeiros e Benzedores conta com o apoio do Templo dos Doze Reinados da Jurema Santa Sagrada, do Museu Paraibano da Cultura Afro-Brasileira e Indígena (Mupay), da Associação Maracatu Nação Pé de Elefante, da Prefeitura Municipal de Alhandra e do Governo do Estado da Paraíba.

A força da Jurema na Paraíba

A Jurema Sagrada é uma das mais antigas expressões religiosas do Brasil, com raízes profundas nas tradições indígenas do Nordeste e influências africanas e europeias. Na Paraíba, especialmente em Alhandra, a jurema se consolidou como prática espiritual e cultural, transmitida oralmente por gerações de mestres, mestras e benzedeiras.

Durante décadas, a tradição foi marginalizada e perseguida, mas resistiu graças à força das comunidades. O reconhecimento como patrimônio cultural representa não apenas uma reparação histórica, mas também um compromisso com a preservação da diversidade religiosa e cultural do país.



[ad_2]

Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img