A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) reagiu às declarações do presidente Lula, que, em discurso na Fundação Oswaldo Cruz, neste sábado (23), disse que a casa elegeria “um miliciano” para o governo do estado.
Em nota, a Alerj disse que “respeita as instituições” e que “espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República”.
“É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro”, diz a nota.
Lula: Da Alerj ‘viria um miliciano’
Lula discursou ao lado do governador em exercício e desancou a Alerj
O presidente Lula afirmou, durante agenda na Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, que, se a Alerj tivesse que indicar alguém para o cargo de governador do estado, “viria um miliciano”.
A declaração foi dada durante discurso ao lado do governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, que assumiu o comando do Palácio Guanabara interinamente após decisão judicial.
“Eu nunca tinha te visto, mas sabia que se a Assembleia tivesse que indicar, viria um miliciano”, disse Lula ao se dirigir diretamente a Couto, arrancando aplausos do público presente no evento.
O presidente ainda afirmou que o Rio de Janeiro vive uma grave crise de segurança pública e defendeu ações mais duras contra grupos criminosos e agentes públicos ligados à milícia.
“Não é possível que uma cidade como o Rio tenha territórios tomados pela milícia. Vamos juntos devolver os territórios para o povo. Ninguém quer que você faça uma ponte, as pessoas querem que você trabalhe para prender políticos que fazem parte de uma milícia organizada”, declarou.
O que diz a Alerj
Eis a íntegra da nota da Alerj sobre as declarações de Lula:
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República.
É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito.
O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país.
O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições.
Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro”.



