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segunda-feira, 4 maio, 2026
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Advogadas denunciam abuso psicológico e maus-tratos sofridos por Thiago Ávila em Israel

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A Adalah, Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes, denunciou abuso psicológico maus-tratos sofridos pelos ativistas da Global Sumud Flotilla (GSF), o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek nesta segunda-feira (4). Ambos estão presos em Israel.

Os ativistas estão em seu sexto dia de greve de fome (bebendo apenas água) em protesto contra seu sequestro ilegal pela marinha israelense em águas internacionais, enquanto participavam de uma missão humanitária para contestar o bloqueio ilegal a Gaza.

Thiago Ávila  liderava uma flotilha que tinha como objetivo chegar até Gaza com ajuda humanitária. Apesar do apelo do governo brasileiro e da acusação do Itamaraty de que ele foi sequestrado em águas internacionais, Ávila teria sido alvo de maus-tratos.

Nesta segunda, as advogadas da Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, visitaram centro de detenção de Shikma, onde está Thiago.  Ávila relatou ter sido submetido a interrogatórios repetidos que duraram até oito horas. Os interrogadores o ameaçaram explicitamente, afirmando que ele seria “morto” ou “passaria 100 anos na prisão”. Ambos os ativistas estão sendo mantidos em isolamento total.

Suas celas são mantidas sob iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática conhecida do Serviço Prisional Israelense (IPS) especificamente projetada para induzir privação de sono e desorientação sensorial. Além disso, Thiago relatou ter sido mantido em temperaturas extremamente baixas.

Eles são mantidos vendados o tempo todo sempre que são levados para fora de suas celas, inclusive durante exames médicos.  A Adalah enfatiza que vendar os olhos de um paciente durante uma consulta médica é uma grave violação dos padrões éticos médicos.

“Grande parte do interrogatório tem se concentrado na Flotilha Global Sumud, uma missão humanitária pacífica, o que confirma que a detenção é uma tentativa de criminalizar a ajuda humanitária e a solidariedade”, diz a Adalah.

Os advogados da Adalah aguardam para saber se o Estado apresentará um pedido de prorrogação da detenção amanhã. A Adalah continua exigindo sua libertação imediata e incondicional e o fim desses procedimentos ilegais.

Adalah visita prisão e relata abuso psicológico e maus-tratos sofridos por Thiago Ávila em Israel
Thiago Ávila 

Thiago Ávila

No domingo, as advogadas de defesa de Thiago Ávila argumentaram perante o tribunal que o processo contra os ativistas era “falho e ilegal”. Para ela, não há base legal para a “aplicação extraterritorial dessas infrações às ações de cidadãos estrangeiros em águas internacionais”.

Segundo um comunicado da defesa, o processo é “uma medida retaliatória contra líderes ativistas humanitários”. Enquanto aguarda para saber seu destino, Thiago Ávila publicou nesta segunda-feira uma carta para sua filha, Teresa, que vive no Brasil com sua mãe.

As forças israelenses interceptaram, na quinta-feira, mais de 20 embarcações das 50 que integravam uma mobilização com 175 ativistas de diversas nacionalidades. Segundo os organizadores, 211 pessoas teriam sido “sequestradas” durante a operação.

Com exceção do brasileiro e do espanhol-palestino, os demais foram levados à ilha de Creta, na Grécia, pela guarda-costeira grega, de onde começaram a ser repatriados para seus países de origem.

Vídeos divulgados pela flotilha nas redes sociais mostram participantes com sinais de agressões, especialmente no rosto. Em um dos relatos, um ativista afirmou que a violência ocorreu quando tentaram impedir a detenção de dois integrantes do grupo.

Em manifestação conjunta, Brasil e Espanha protestaram contra a prisão dos ativistas. Os dois países solicitaram a imediata visita dos representantes consulares em Israel, para prestação de assistência e proteção, e determinaram o envio dos dois aos seus respectivos países de origem.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, classificou a ação como uma “crime internacional”.





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