A revelação de que uma produtora pagou R$ 12 milhões a um homem agora preso por feminicídio expõe a profundidade de um contrato milionário firmado pela Prefeitura de São Paulo com uma ONG ligada à cinebiografia de Jair Bolsonaro. A investigação mostra um conjunto de relações que envolve dinheiro público, irregularidades graves e um crime brutal, criando um cenário que exige novas apurações.
Como a produtora pagou R$ 12 milhões em um contrato questionado
O Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 108 milhões da gestão Ricardo Nunes para instalar e manter pontos de Wi-Fi em comunidades vulneráveis. O edital apresentou irregularidades, segundo o Tribunal de Contas do Município. Além disso, a Prefeitura aceitou mudanças que aceleraram a instalação durante o período eleitoral, o que ampliou as suspeitas. A Prodam oferecia o mesmo serviço por valor muito menor, mas foi preterida.
O vínculo entre o Wi-Fi e a produtora que pagou R$ 12 milhões
A presidente do ICB é também produtora executiva da cinebiografia de Bolsonaro. Ela assinou o contrato que repassou R$ 12 milhões à empresa Favela Conectada, de Alex Leandro Bispo dos Santos. O acordo permitiu pagamentos mesmo sem todos os pontos instalados. A Prefeitura autorizou a cobrança de manutenção com base em uma data fictícia, algo incomum e pouco transparente.
O acusado de feminicídio e o repasse de R$ 12 milhões
Alex Leandro era responsável pela manutenção dos pontos. Ele recebeu mensalidades por doze meses, apesar de prestar serviço por pouco mais de dois meses. Mesmo assim, o contrato validou pagamentos integrais. A assinatura no acordo aparece apenas como “Alex”, sem CPF completo. Documentos posteriores mostram sua identificação ao lado da assinatura da esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, agora morta.
O crime que agrava o caso da produtora que pagou R$ 12 milhões
As câmeras do prédio registraram agressões brutais. Maria tentou se defender, mas caiu do décimo andar logo depois. A polícia investiga feminicídio. Alex voltou ao elevador em desespero, o que reforça a gravidade das imagens. O caso gerou comoção, mas também trouxe foco ao contrato milionário que beneficiou sua empresa.
A defesa da Prefeitura e as dúvidas restantes
A Prefeitura afirma que não há relação entre o programa de Wi-Fi e o filme de Bolsonaro. Também diz que a ONG cumpriu o edital. No entanto, os números mostram inconsistências. O custo por ponto é muito maior que o praticado por empresas especializadas. Além disso, o cronograma alterado favoreceu pagamentos antecipados. Isso exige fiscalização mais rígida.
O impacto político após a produtora pagar R$ 12 milhões
A mistura de dinheiro público, interesses políticos e crime violento colocou o contrato sob escrutínio nacional. A investigação continua. O caso deve se desdobrar em novas frentes, com cobranças por transparência e responsabilidade. O episódio amplia o debate sobre o uso de organizações sociais em contratos de alta complexidade.



