Após denúncia do vereador Bruno Ziliotto (PT), que divulgou vídeo de crianças marchando e entoando cânticos agressivos, o curso Unibe Escola Pré-Militar se manifestou, justificando a cena que viralizou nas redes sociais.
No vídeo, crianças uniformizadas recitam versos que dizem “bate na cara, espanca até matar; arranca a cabeça e joga ela no mar. E o interrogatório é muito fácil de fazer; eu pego o inimigo e dou porrada até morrer”. Divulgado na redes sociais por Ziliotto, o vídeo resultou também em uma denúncia ao Ministério Público de Santa Catarina por apologia à violência. “
Em nota, a direção do curso Unibe Escola Pré-Militar afirma que esse tipo de canção, chamada de TFM (Treinamento Físico Militar), “é uma prática amplamente utilizada pelas Forças Armadas e instituições militares com o objetivo de desenvolver disciplina, condicionamento físico, resistência, trabalho em equipe e, principalmente, valores como respeito, hierarquia e superação”.
Ainda de acordo com a nota, são canções usadas no Exército. Para a direção do curso, mesmo usando imagens como “espanca até matar” e “dou porrada até morrer, as canções tem “caráter motivacional”: “As canções entoadas durante os treinos não têm caráter ofensivo, mas sim motivacional, ajudando a manter o ritmo, a união do grupo e o foco durante as atividades.”
De acordo com a nota, essa prática faz parte de um “ambiente educativo, com orientação e acompanhamento, onde aprendem não apenas atividades físicas, mas também valores fundamentais para a formação de cidadãos responsáveis e comprometidos”.
Para a direção do curso, “esses jovens não estão sendo expostos a algo prejudicial, mas sim sendo preparados, com responsabilidade, para desafios futuros que exigem caráter, preparo físico e mental.”
O vereador Bruno Ziliotto, autor da denúncia ao MP, afirma que “a escola perdeu a oportunidade de se retratar e acabou escolhendo dissimular a situação. Segundo a legislação brasileira, não existe contexto em que crianças possam ser educadas para cometimento de crimes de extrema violência.”
“Depois de acionar o Ministério Público de SC, registramos Boletim de Ocorrência e seguiremos denunciando a todas as autoridades competentes para apurar e responsabilizar os envolvidos. Não podemos tolerar a manipulação de menores de idade em favor de um projeto fascista de educação”, diz Ziliotto.
Veja íntegra da nota da escola
“Diante dos comentários que vêm sendo feitos sobre crianças e adolescentes cantando canções de TFM (Treinamento Físico Militar), é importante esclarecer alguns pontos antes de qualquer julgamento precipitado.
O TFM é uma prática amplamente utilizada pelas Forças Armadas e instituições militares com o objetivo de desenvolver disciplina, condicionamento físico, resistência, trabalho em equipe e, principalmente, valores como respeito, hierarquia e superação. As canções entoadas durante os treinos não têm caráter ofensivo, mas sim motivacional, ajudando a manter o ritmo, a união do grupo e o foco durante as atividades. Vale ressaltar que são canções que eles cantam no exército. Como um dos nossos instrutores é do exército, pode ter sido puxada a canção, mas estamos averiguando se de fato ele puxou mesmo a canção.
No caso desses jovens, trata-se de alunos que estão se preparando para uma possível carreira militar. Eles participam de um ambiente educativo, com orientação e acompanhamento, onde aprendem não apenas atividades físicas, mas também valores fundamentais para a formação de cidadãos responsáveis e comprometidos.
É importante ressaltar que disciplina, organização e respeito nunca foram e nunca serão aspectos negativos na formação de um jovem. Pelo contrário, são pilares que contribuem para o crescimento pessoal e profissional.
Antes de criticar, é essencial buscar entender o contexto. Esses jovens não estão sendo expostos a algo prejudicial, mas sim sendo preparados, com responsabilidade, para desafios futuros que exigem caráter, preparo físico e mental.
Respeitar esse processo é também valorizar o esforço, o sonho e a dedicação de cada aluno que escolhe trilhar esse caminho para suas vidas.
Não temos lado político
Nosso público-alvo é tirar os alunos da rua e ensinar as matérias específicas de concursos, como português, matemática ,química, física, inglês, treinamento físico, atendimento com a psicóloga para avaliação do rendimento do aluno na escola, seja particular ou pública. Não temos idade pré estabelecida. Hoje trabalhamos com crianças de 5 anos em diante.”



