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segunda-feira, 10 agosto, 2026
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A voz que ecoa pelo Norte

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O ofício da escrita costuma ser visto como algo glamouroso, e há uma certa verdade nessa afirmação. A maioria das pessoas que estão fora do meio literário costumam concluir que todos os escritores são feitos sob medida, como se fossem moldados numa forma especial. Entretanto, um traço que sempre ficou evidente, ao meu ver, é que os grandes escritores com quem tive o privilégio de conviver provaram ter uma humildade marcante.

Enquanto muitos buscam escrever para se apropriar do título de escritor, outros o fazem por sentir esse chamado, conforme o famoso ditado: “se eu não escrever, as palavras me sufocam”, e, nesse ofício, a humildade é uma ferramenta sagaz. É necessário desprender-se de si mesmo para alcançar o extraordinário. Não se trata de abrir mão da própria identidade, mas, sim, libertar-se do próprio ego e reconhecer no outro a arte.

A humildade sempre foi um traço que admirei na escritora, jornalista e ilustradora botânica Leyla Leong. Nascida paraense e legitimada Cidadã Amazonense pela Assembleia Legislativa do Estado, em 2023, é autora de livros infantojuvenis que abordam assuntos voltados para a defesa do meio ambiente.

Ela foi criada às margens do rio Solimões e se apropriou daquele cenário de floresta para construir seus livros, como: Essa tal natureza  (2010);  Cida, a macaca travessa (2008); e Sua real majestade, o Gavião real (2014). Seu primeiro livro, Essa tal natureza, foi concebido como uma peça teatral e teve a sua estreia no Teatro Amazonas na década de 1980, anos depois transformou-se em um musical.

Muito além de escrever, Leyla tomou a iniciativa de fazê-la valorizando os seus, usando o mundo que a rodeava como matéria-prima para a literatura. Sua carreira como escritora começou cedo, logo já fazia parte do Clube da Madrugada, o mais importante movimento literário amazonense. Recebeu com honrarias a Medalha do Mérito Cultural da Academia Amazonense de Letras em 2014. No ano de 2024, foi homenageada na 39.ª feira de livros do Sesc-AM.

Vale ressaltar que seu prestigiado trabalho é ainda mais engrandecido com a ilustradora mineira Terezinha Escobar, a qual tem formação pela UFMG, é ceramista, xilogravurista e responsável pela ilustração do livro O Circo, Cida – a macaca travessa, e Essa tal natureza.

Tive a feliz oportunidade de ver Leyla atuar como curadora da 40.ª Feira de Livros do Sesc e perceber o quanto ela dedicou-se a dar oportunidade para os escritores do Norte tomarem destaque nesse tão renomado evento realizado em Manaus. A escritora consolidada construiu pontes e não barreiras. Novamente, um traço forte de humildade.

Habituados a ver seus livros infantojuvenis circularem pelo mercado literário, agora seremos a plateia que admira o começo de um novo ciclo: a publicação de  belíssimas crônicas de Leyla Leong pelo portal de notícias Ecos do Norte. Nela podemos ver como o  profissional escritor vive um ciclo interminável de reinventar a si próprio, uma capacidade que se renova a cada novo projeto.

Uma grande voz potente! Leyla Leong consolidou essa voz na literatura, sua palavra ressoa através dos livros e agora reverbera pelo Ecos do Norte. À nova Dama do Ecos digo: bem-vinda!

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