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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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A vingança histórica com Jurubeba safra 1964

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Há o tempo do champanhe… e o tempo da Justiça.

Demorou, mas que agora paguem pelo que ficou barato na história pelo menos desde 1964.

“É a volta do cipó de aroeira/ No lombo de quem mandou dar”, canta Vandré na vitrola.

Enfim, o Brasil colocou o ex-presidente Bolsonaro na prisão por causa da trama golpista. Generais, acredite, também seguiram o mesmo destino. Desconfiava que apenas os lambaris seriam condenados. Qual o quê. Errei feio, ainda bem.

No sextou do ICL Notícias 2ª Edição, celebramos os avanços da política e da história, não com champanhe, porém com jurubeba. É um modo irônico de abraçar o nacional-popular. Além de tirar uma buena onda com os bacanas.

Por isso, aproveito aqui o espaço crônico para exaltar a bebida oficial do nosso programa. Deixo também uma espécie de bula da enologia selvagem para quem ainda desconhece o caráter especial deste vigoroso licor dos deuses da Caatinga.

Se no vinho metido está a verdade (In Vino Veritas), In Jurubeba Fabulari, ou seja, na jurubeba está o poder de fabular,  imaginar histórias, fazer viagens quixotescas e praticar a arte picaresca.

Meu “Sideways” particular tem como destino Aratu, na Bahia. Aqui encontramos a origem do vinho macerado da Solanum paniculatum, a rica fruta conhecida vulgarmente como jurubeba, a pinot noir de quem nasceu para beber de verdade, não para cheirar a rolha e desgustar como uma freira.

Mal você abre a tampinha de lata reciclada – é mais ecológico, a cortiça vive uma crise na Europa ­— e já percebe se tratar de um vinho compacto, com um bloco de aromas em leque perfumando o ambiente, mesmo o pior dos pés-sujos da Lapa de Baixo.

De perfil aromático limpo e complexo – este enólogo também não trabalha com amadeirados e quetais —, o Jurubeba Leão do Norte guarda a essência de extratos de cravo, canela, quássia, boldo e genciana. O tanino de caráter rijo junta-se ao caramelo de milho e dá tintas finais à uma coloração entre o rubi e frutas negras do semi-árido -com halo aquoso ainda em formação.

Repare no sabor fugidio do jatobá e da flor de muçambê, com florais de mulungu e pau-d´arco ao longe. No todo, o equilíbrio chama a atenção. E de que mais precisamos, amigo da esbórnia, do que este suposto equilíbrio no momento da volta ao lar doce lar?!

O vinho de jurubeba harmoniza bem com a gastronomia de sustança. Pratos sugeridos: mocotó, mão-de-vaca, chambaril, buchada de bode e caprinos no geral, javali, teju etc.

Podemos aplicar ao jurubeba o mesmo impressionismo paradoxal que o renomado crítico Robert Parker usou para definir o Romanée-Conti: “Aromas celestiais e surreais…”. Seja lá que diabo ele quis dizer com essa xaropada de adjetivos.

Saúde! Porque se os outros vinhos ajudam o coração, o jurubeba é reconhecido na medicina popular como um fortificante da cintura para baixo. Afrodisíaco no último.

Até a próxima visita às adegas e aos alambiques mais roots do país. Mande também a sua sugestão de nossos melhores licores.

Obrigado pela leitura. Até a próxima sexta. E fica o Gil e o Jorge Ben girando com o disco clássico da dupla: “Juru juru juru juru juru jurubeba/ Beba beba beba beba beba beba juru
Jurubeba”.



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