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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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A invasão da IA ao seu último refúgio: sua mente

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A startup Curio vende bichinos de pelúcia equipados com inteligência artificial. A criança conversa com o bichinho e ele responde como se fosse real. Os fabricantes prometem manter os pequenos longe dos perigos telas, só que o resultado pode ser ainda pior, gerando crianças viciadas em respostas sintéticas e buscando no algoritmo o que deveriam encontrar nos pais.

É a IA saindo da tela e invadindo o mundo físico através de objetos que simulam afeto.

Esse ursinho falante é apenas o primeiro passo de uma jornada que nos levará muito além do brinquedo. Sam Altman, cofundador da OpenAI, anunciou uma nova empresa para desenvolver implantes cerebrais para conectar mentes humanas a máquinas. A proposta pode transformar a sua disputa com Elon Musk, dono da Neuralink (além do X/Twitter, Tesla e SpaceX) numa corrida pela colonização do nosso último território privado: nossas mentes.

A Meta desenvolveu uma IA capaz de prever como o cérebro reage a texto, áudio e vídeo. O sistema identifica padrões comuns entre pessoas e regiões do cérebro, aproximando máquinas da compreensão da mente humana. Esse avanço rendeu à equipe o primeiro lugar em uma competição internacional de modelagem cerebral.

Cientistas já conseguiram decodificar palavras que pessoas apenas imaginaram dizer. Em laboratório, eletrodos aplicados no córtex motor detectam com 97,5% de precisão quase 6 mil palavras que voluntários tentavam pronunciar. Agora, a tecnologia evoluiu para capturar até pensamentos não verbalizados. Os sinais da fala imaginada são similares aos da fala tentada, apenas mais fracos, mas já suficientes para sistemas amplificar e traduzir isso em texto.

Isso pode representar uma revolução médica extraordinária, por exemplo para pessoas com dificuldades de fala. E também inaugura uma era de vulnerabilidade inédita. Até hoje, nossos pensamentos eram o último refúgio inviolável numa sociedade de vigilância total. Agora, empresas que lucram bilhões com nossos dados querem acesso direto aos nossos cérebros.

Os pesquisadores criaram “salvaguardas” como senhas mentais para autorizar a leitura neural, reconhecidas com 98,75% de precisão. Porém, nada garante que essas proteções não serão hackeadas, contornadas ou simplesmente ignoradas por governos e corporações. Vivemos numa época em que nem conseguimos proteger nossos dados básicos do vazamento e da exploração comercial, difícil confiar que conseguiremos manter a privacidade dos nossos pensamentos, nesse contexto.

Primeiro nos acostumamos com assistentes digitais que ouvem tudo. Depois, crianças conversando com brinquedos artificiais que simulam compreensão. Agora, chips cerebrais que prometem “fundir” humanos e máquinas. Cada etapa normaliza a anterior e prepara terreno para a próxima invasão.

Altman diz que essa fusão é necessária para coexistirmos com a sonhada (por ele) superinteligência artificial. É a mesma lógica de sempre das Big Techs de criar o problema e vender a solução. É o capitalismo de vigilância levado ao extremo.

Soa tudo  muito distante até nos lembrarmos que há quinze anos, jamais imaginaríamos andar com um dispositivo que rastreia nossa localização 24 horas por dia, monitora nossas conversas e concentra toda nossa vida digital. Hoje, não sabemos mais viver sem o celular.

Essa dependência foi construída gradualmente, vendida como conveniência e conexão. Amanhã, nossos filhos podem achar normal ter empresas lendo seus pensamentos.



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