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quinta-feira, 12 fevereiro, 2026
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‘A grande ausência foi a Europa’, diz enviado especial da sociedade civil para a Pré-COP30 — Brasil de Fato

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Cerca de 800 representantes de 62 países estão reunidos em Brasília (DF), entre segunda-feira (13) e terça (14), para a Pré-COP. O encontro de alto nível reúne ministros negociadores de clima, com o objetivo de estabelecer o máximo de consensos possíveis sobre as medidas de mitigação das mudanças climáticas. A reunião acontece a menos de um mês da  30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA). 

As reuniões estão ocorrendo a portas fechadas, sem a participação da imprensa. O diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e enviado especial da Sociedade Civil para a COP30, André Guimarães, fez um balanço das discussões deste primeiro dia e destacou a ausência dos países ricos. 

“Na minha percepção, a grande ausência foi a Europa. Até agora eu não vi manifestação da Europa. Enquanto todos os países estão confirmando e dizendo: ‘olha, nós temos que aumentar a ambição, nós temos que ter NDCs [Contribuição Nacionalmente Determinada, por sua sigla em inglês] mais ambiciosas, precisamos de recurso para implementar esses NDCs, para mim ficou muito claro a ausência do Norte Global”, afirmou Guimarães, ressaltando o papel dos países do Sul Global na busca de soluções para a emergência climática. 

“Nós estamos diante do momento do Sul Global. É o Sul Global que tem que direcionar o planeta. O Sul Global tem que definir as prioridades do planeta. A Europa se absteve de participar até agora. Nós estamos aqui a menos de 30 dias da COP 30. A Europa não se manifestou, não apresentou NDC. Os Estados Unidos já saíram do Acordo de Paris, ou pelo menos anunciaram sua saída. Então nós temos um momento agora em que o Sul Global tem que trabalhar”, defendeu.

Quem também criticou a omissão dos países ricos foi o representante da Campanha Global pela Justiça Climática, Victor Menotti. “Tanto os EUA quanto a União Europeia nem sequer estão apresentando as NDCs. Os dois maiores poluidores historicamente responsáveis que têm a maior capacidade de pagar pela transição dos países”, afirmou.

Por sua vez, Antonio Lisboa, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendeu que a transição justa deve passar pelo respeito aos direitos trabalhistas. Para isso, defendeu a criação do Mecanismo de Ação de Belém, uma iniciativa que busca operacionalizar as ações de enfrentamento à mudança do clima. “Quero dizer rapidamente que o presidente Lula tem dito que a COP30 deve ser a COP da implementação. Então, para nós do movimento sindical brasileiro, o mecanismo de ação de Belém é um ótimo caminho para se implementar as políticas de transição justa”, afirmou. 

Mwanahamisi Singano, representante da organização Women and Gender Constituency (WGC), defendeu que os projetos de transição contemplem uma agenda de gênero. “Vivemos em um mundo onde os recursos estão apenas beneficiando poucos. E, por sua vez, as comunidades têm sido mantidas às custas do trabalho de cuidado das mulheres e dos povos indígenas. O trabalho de cuidado, que não é reconhecido, é subvalorizado e, na maioria das vezes, mal remunerado, por exemplo. E a transição justa deve mudar essas realidades também”, ressaltou.

COP da implementação

O presidente da COP30, embaixador André Correia Lago, afirmou que a maioria das declarações feitas pelos representantes no período da manhã foram protocolares, lidas e pouco espontâneas. No entanto, segundo o diplomata, “deu para sentir” a disposição dos países, sobretudo do Sul Global, em trabalharem pelo fortalecimento do multilateralismo. 

“Eu acho que deu para sentir um alinhamento grande com o desejo do fortalecimento do multilateralismo. Isso não há a menor dúvida. O tema de adaptação foi muito enfatizado”, destacou.

Já a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, destacou que essa será a COP da Implementação. “Acho que essa é a característica da COP 30, que foi muito debatido hoje, que é a inclusão e a implementação. Acho que ficou muito claro na fala de todo mundo, marcando e percebendo a marca da COP30 de implementação e inclusão com o espírito do mutirão no combate à mudança do clima”, afirmou, em coletiva de imprensa.

Abertura 

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), participou da cerimônia de abertura, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) e destacou os avanços do Brasil em matéria ambiental.

Vice-presidente Geraldo Alckmin, ao lado do embaixador André Correia Lago, presidente da COP30, e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na cerimônia de abertura da Pré-COP. Foto: Evaristo Sá/AFP

“Queremos continuar liderando como exemplo. Criamos o programa Mover, mobilidade verde, estimulando as empresas para inovação e sustentabilidade. No carro sustentável, estabelecemos uma meta, exigindo 80% de reciclabilidade e, no máximo, 83 gramas de CO2 por quilômetro rodado”, destacou Alckmin, fazendo um chamado a que o progresso científico, industrial, econômico e tecnológico esteja alinhado à proteção do planeta. 

“Garantir que o progresso, seja ele científico, econômico ou tecnológico, nunca aconteça às custas do clima, da natureza ou da dignidade humana. É com esse olhar que o Brasil chega a COP”, afirmou o vice-presidente. 

Também participaram da cerimônia de abertura os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores.

Entre os temas que estarão em debate nesses dois dias, estão o financiamento climático, a transição energética, as estratégias de adaptação aos efeitos das mudanças do clima e a preservação da biodiversidade, com destaque para a Amazônia.

Para o segundo dia de evento, estão previstas mesas temáticas de negociação e a divulgação de um documento final. 

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Fonte: Brasil de Fato

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