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domingo, 15 fevereiro, 2026
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A Ferida Invisível – ICL Notícias

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“O trauma não é o que nos acontece, mas o que acontece dentro de nós como resultado do que nos aconteceu.” Dr. Gabor Maté

Você já se perguntou por que certos padrões se repetem em seus relacionamentos? Ou por que situações aparentemente simples despertam reações intensas, como se algo mais profundo estivesse sendo tocado? A resposta pode estar no trauma, não apenas nos eventos vividos, mas nas feridas emocionais não curadas que carregamos, muitas vezes desde a infância.

A palavra “trauma”, do grego, significa ferida. No entanto, como ensina o médico húngaro-canadense Dr. Gabor Maté, o trauma não é o evento em si, mas a ferida interna deixada por ele, a desconexão de si mesmo que se instala quando não conseguimos processar emocionalmente uma experiência difícil. Essa desconexão pode durar décadas e, se não for reconhecida, comprometer nossos vínculos afetivos, nossa saúde e nossa capacidade de viver com autenticidade.

Existem dois tipos principais de trauma:

Trauma com “T” maiúsculo (Big T): Resulta de eventos impactantes como abuso físico, sexual ou emocional, negligência severa, perda precoce de entes queridos, entre outros.

Trauma com “t” minúsculo (small t): Acontece quando nossas necessidades emocionais básicas, como atenção, amor incondicional e validação, não foram atendidas na infância.
Grande parte das nossas reações afetivas na vida adulta não está relacionada apenas ao presente, mas a feridas não resolvidas do passado. Em outras palavras, muitas vezes não estamos reagindo ao outro, mas ao que aquilo nos faz reviver internamente.

Se, por exemplo, você sente que “não é importante” para alguém, talvez esteja acessando uma memória emocional da infância. Esse tipo de trauma emocional afeta profundamente a forma como nos conectamos com os parceiros, amigos e familiares, e, principalmente, conosco mesmos.

Curar um trauma não significa apagar o passado, mas transformar a forma como ele vive dentro de nós. Isso começa com dois passos fundamentais:

1.   Reconhecimento: Admitir que há uma ferida é o primeiro e mais corajoso passo. Enquanto a dor não for nomeada, ela se expressa silenciosamente em forma de ansiedade, depressão, reatividade emocional e conflitos nos relacionamentos.

2.   Responsabilidade sem culpa: O que aconteceu com você não foi sua culpa, mas a responsabilidade pela cura é sua. Isso significa buscar apoio, desenvolver autoconsciência e se abrir para novas respostas emocionais.

“Quando reconhecemos a causa do nosso sofrimento, damos um grande passo rumo à cura.” – Buda

O trauma não é apenas psicológico. Estudos científicos mostram que experiências adversas na infância têm ligação direta com doenças como asma, reumatismo, câncer, doenças autoimunes e até problemas cardiovasculares. Isso ocorre porque o estresse crônico provocado pelo trauma gera inflamações persistentes no organismo e afeta o sistema imunológico.

Como reforça o psiquiatra Bessel van der Kolk em seu livro O Corpo Guarda as Marcas, não existe uma pílula capaz de curar o trauma, mas há muitos medicamentos para lidar com seus sintomas. E essa lógica mantém muitas pessoas reféns da dor, sem acesso à verdadeira raiz do sofrimento.

Segundo o autor A.H. Almaas, “a maior tragédia da infância não é a ausência de amor dos pais, mas a desconexão da própria essência”. Quando curamos nossos traumas, não apenas encerramos ciclos de dor, mas também restabelecemos a ligação com quem realmente somos. Voltamos a sentir, desejar, escolher e amar a partir de um lugar mais inteiro.

Trauma e relacionamentos estão profundamente conectados. A busca por uma parceria amorosa verdadeira exige mais do que conhecer o outro, exige reconectar-se consigo. É nesse solo de autoconhecimento que nasce a liberdade emocional e a possibilidade de viver relações mais maduras, leves e significativas.

Se você sente que repete padrões que te ferem, ou que algo em você está “puxando para baixo”, como no caso da depressão, isso pode ser um convite à cura.

Sua história importa. Sua dor tem sentido. E seu processo é único.

Grande abraço,

 



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