“A ARTE DE PERDER”
(Segundo Elizabeth Bishop)
“A arte de perder não é nenhum mistério/ tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las/que perder não é nada sério/ Perca um pouquinho a cada dia/ A arte de perder não é nenhum mistério” (…)
Sei que Flávio Bolsonaro e seus partidários não são dados à leitura. Mas seria bom que fizessem um esforçozinho para aprender sobre a arte de perder com a poeta americana Elizabeth Bishop(1911-1979), considerada uma das mais brilhantes do século XX.
Os pronunciamentos dos dois candidatos à Presidência da República pela tv após o “empate” nas urnas do primeiro turno, revelou todo um estilo que diferencia diametralmente a cultura e as intenções de cada um deles.
A atmosfera que a lente da câmera captou do entorno do candidato Flávio Bolsonaro transpirava ódio e desejo de vingança. Puro sangue nos olhos, Flávio usou o seu tempo para disparar os insultos vazios de sempre.
Nem a sua vantagem momentânea nas urnas mereceu sequer um sorriso.
É curioso observar a fisionomia do seu vice, o improvável deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), até o momento praticamente desconhecido dos eleitores. O deputado aparece em segundo plano, com expressão aterrorizada, deixando a boca de cena totalmente para Flávio Bolsonaro que não teve a delicadeza de registrar a sua presença.
Na tomada do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo resultado das urnas o puseram em desvantagem (pequena, mas perigosa), reinou a alegria, a positividade e a esperança, embora reconhecendo o perigo que corremos.
Sem abdicar do alto astral, Lula cercou-se de candidatos (mesmo os derrotados) como Marina Silva e Paulo Haddad, sem perder a ternura e a convicção de que ainda existe a possibilidade de evitar o desastre que paira sobre este Brasil cuja metade dos seus habitantes nos apavoram com a perspectiva de um futuro de total barbárie e entreguismo.
Na tela de Lula, slogans, cantos de campanha e pequenos gestos afetuosos distribuídos ao seu vice Geraldo Alkmin e a cada um dos presentes.
Interessante Lula em um momento falar sobre uma possível perda com a mesma naturalidade com que Elizabeth Bishop fala em seu poema.
Se pela manhã o presidente vestiu-se de branco com uma esplêndida e significativa guayabera cubana e o indefectível chapéu panamá que tanto lhe cai bem, à noite estava de azul em um bem cortado terno. Rosto descansado, sorridente, amoroso, confiante.
Eis a diferença entre um estadista com passado, presente e futuro e um candidato de ocasião, sem modos, sem cultura e sem história.
BORA então para o segundo turno tirar essa diferença?
Anote no seu caderninho: dia 25, agora.



