(Folhapress) – O Banco Central do Paraguai anunciou neste sábado (7) ter devolvido o dinheiro a 1,2 milhão de clientes do Ueno Bank, banco digital envolvido em uma crise de solvência na última semana.
Segundo informações apresentadas pelo presidente interino do Banco Central do país, Pedro Acosta, e pelo presidente do FGD (Fundo de Garantia de Depósitos), José Maciel, em entrevista coletiva, os pagamentos já totalizam R$ 880 milhões (ou US$ 160 milhões).
O número de clientes que receberam os valores corresponde a 41% do total de clientes que a instituição possuía (2,9 milhões). O Paraguai tem cerca de 7 milhões de habitantes.
Acosta explicou que, no primeiro dia das transferências, na quinta-feira (5), foram atendidos os clientes que tinham até R$ 8.800 depositados no Ueno. Na segunda etapa, foram efetivados os pagamentos para quem tinha nas contas valores entre R$ 8.800 e R$ 200,8 mil, limite máximo coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
Grande parte dos pagamentos é coberta pelo fundo. Segundo o Banco Central local, o mecanismo tem capacidade para cobrir os depósitos de 97% dos clientes do banco.
Quem tem depósitos acima desse limite terá de aguardar o balanço definitivo elaborado pela Superintendência de Bancos, que avaliará até que ponto será possível cobrir os valores excedentes.
A derrocada do Ueno Bank levou o Paraguai a uma crise institucional. O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na sexta-feira(6), horas depois da aprovação de seu impeachment pelo Congresso, que o retirou do cargo, em razão de sua relação com a instituição.
Peña é ex-investidor da holding do banco e foi responsável por nomear, em 2023, Carlos Carvallo, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana e também teve uma ordem de prisão expedida na sexta-feira.
A crise do Ueno Bank se agravou após o índice de solvência da instituição, indicador que mede sua capacidade de absorver perdas, cair para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório exigido no país, de 12%.
Uma série de investigações identificou problemas na avaliação de risco de crédito, inconsistências nas informações financeiras utilizadas para aprovar empréstimos e operações com empresas relacionadas aos acionistas do banco.
Segundo o então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, as investigações também identificaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.
O banco também administra mais de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.



