Há poucos meses, um caso causou comoção entre os imigrantes latinos nos EUA. O governo de Donald Trump se recusou a dar um visto humanitário a uma mãe de uma criança americana que se recuperava de um tumor cerebral raro. A mãe, uma imigrante, havia sido deportada ao México e esperava pelo gesto de Washington para poder dar continuidade ao tratamento médico especializado da filha.
Ela esperou por dez meses, e a resposta foi negativa. A criança tinha 10 anos quando as autoridades de imigração deportaram seus pais — que não tinham documentação legal — para o México, há mais de um ano. A menina e quatro de seus irmãos, três dos quais também são cidadãos americanos, partiram junto com os pais.
A deportação interrompeu meses de um tratamento vital que a menina vinha recebendo nos EUA, após passar por uma cirurgia de emergência em 2024 para a remoção do tumor cerebral.
Casos como a da menina com um tumor fazem parte de uma lista sem fim de recusas por parte da Casa Branca. Em 2025, o governo Trump foi à Justiça para conseguir suspender cerca de 500 mil vistos humanitários que existiam no país.
Mas, nesta semana, Washington quebrou o tabu e decidiu que uma família merecia esse privilégio: a de Flávio Bolsonaro.
O passe humanitário que o senador recebeu causou indignação entre advogados e ativistas que lidam com imigração nos EUA, inclusive entre centenas de casos de brasileiros que aguardam para ser deportados.
Em 2026, apenas 16 mil pessoas receberam status de exilado nos EUA, quase todos eles sul-africanos brancos e que, segundo Trump, estariam sendo alvo de “perseguição” pela população negra do país.
Em comparação, nos dois últimos anos fiscais do governo de Joe Biden — 2023 e 2024 —, 60 mil e 100 mil pessoas entraram no país como refugiados. No ano fiscal de 2024, os maiores contingentes vieram da República Democrática do Congo, do Afeganistão, da Síria e da Venezuela.
A partir de 2025, centenas de milhares de pessoas protegidas contra a deportação perderam essa proteção quando um mecanismo de amparo humanitário, conhecido como Temporary Protected Status (TPS — Status de Proteção Temporária), foi encerrado.
Em 12 de junho do ano passado, o Departamento de Segurança Interna anunciou que começou a enviar notificações de encerramento do status humanitário e da autorização de trabalho a indivíduos, principalmente cubanos, haitianos, nicaraguenses e venezuelanos. Só entre os haitianos, a medida afetou 350 mil pessoas que viviam nos EUA.



