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quarta-feira, 28 outubro, 2026
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Vaquinha arrecada R$ 1,5 milhão para mãe de Ana Clara, morta aos 5 anos no RJ

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Por Isabela Faggiani

(Folhapress) – Uma vaquinha organizada pelo Revelando arrecadou R$ 1,5 milhão em menos de seis horas nesta terça-feira (27) para ajudar Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina morta aos cinco anos durante uma ação policial em Niterói (RJ), em 2021. A campanha recebeu doações de 15 mil pessoas e já foi encerrada.

A ideia inicial era arrecadar dinheiro para comprar uma casa para Cristiane, que atualmente mora de favor, e abrir uma poupança para Pedro, seu filho mais novo. Com a rápida adesão do público, a meta foi ampliada para R$ 1,5 milhão. O valor também será usado para oferecer acompanhamento psicológico à família e ajudar uma rede de acolhimento a mulheres em situação de violência.

O anúncio da vaquinha foi publicado às 13h40 no perfil oficial do Revelando no X (antigo Twitter).

“Cris, mãe de Ana Clara, precisa do nosso apoio!”, dizia a publicação. “Depois de levar a história da filha para todo o país e ajudar a salvar a democracia, agora vamos mostrar que ela não está sozinha!”

Às 17h56, o perfil comemorou o resultado. “Fizemos história! Em menos de 5 horas, milhares de pessoas doaram pela memória da Ana Clara, e arrecadamos R$ 1.500.000 para sua mãe e o seu irmão!” O projeto também alertou que não está mais recebendo doações e que divulgará a prestação de contas da campanha.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Cristiane agradeceu a mobilização. “Eu vim aqui agradecer a todos que estão colaborando com as doações pra que eu possa conseguir comprar minha casa pra um futuro melhor pro meu filho”, disse. A diretora-geral do Revelando, Alessandra Orofino, também participou da gravação e explicou como o dinheiro será utilizado.

Ana Clara foi morta em 2 de fevereiro de 2021, quando brincava na porta de casa com Pedro, então com dois anos, na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói. A menina foi atingida por um disparo de fuzil durante uma ação da Polícia Militar.

O cabo Bruno Dias Delaroli foi preso em flagrante e denunciado por homicídio qualificado. Ele nega que o tiro tenha partido de sua arma. Flávio Bolsonaro (PL), então senador, integrou a defesa do policial em um recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para tentar impedir que ele fosse levado a júri popular. O pedido foi rejeitado em 2024, mas Delaroli ainda não foi julgado.

O caso ganhou repercussão nacional após ser contado pela atriz Camila Pitanga em um episódio do Revelando, publicado em 30 de setembro. Intitulado “O Julgamento que Nunca Aconteceu”, o vídeo abordou a morte de Ana Clara e a atuação de Flávio na defesa do policial.

Cristiane também esteve no debate presidencial realizado pela Globo na última sexta-feira (23), a convite da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante uma discussão sobre segurança pública, o presidente trouxe o caso à tona e cobrou explicações do adversário.

“O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de cinco anos? Que território é esse? O território da bala?”, questionou.

Ao responder, Flávio se dirigiu a Cristiane, mas a chamou pelo nome da filha: “Ana Clara, eu quero falar com a senhora”, disse. Da plateia, ela respondeu: “Ela morreu!”. O então candidato do PL afirmou acreditar na inocência de Delaroli. Enquanto ouvia a resposta do senador, Cristiane o chamou de mentiroso.





ICL Notícias

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