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sexta-feira, 23 outubro, 2026
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Segundo maior doador nacional do PL em 2025 comanda empresa investigada no caso Master

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Por Alice Maciel e Guilherme Pavarin 

O segundo maior doador nacional do Partido Liberal em 2025 comanda uma multinacional investigada pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento nas fraudes financeiras do Banco Master. Marcus Vinícius Almeida Silveira, presidente global da Ambipar, transferiu R$ 250 mil à legenda do candidato à presidente Flávio Bolsonaro em 10 de junho daquele ano, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Ambipar, multinacional que diz atuar na gestão de resíduos e resposta a emergências ambientais, é alvo da investigação no âmbito da Operação Compliance Zero. A PF suspeita de participação da companhia nas fraudes do banco controlado por Daniel Vorcaro, preso desde o último mês de março. O Master foi liquidado extrajudicialmente por decisão do Banco Central, em novembro do ano passado. 

O fundador da companhia, Tércio Borlenghi Júnior, foi citado pela área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como integrante de uma “ação orquestrada” com o empresário Nelson Tanure e o Banco Master para elevar o preço das ações da Ambipar.

A apuração, anterior à Operação Compliance Zero, identificou uma “relação comercial estreita” entre Borlenghi, Tanure, a Trustee DTVM e o banco de Daniel Vorcaro. Nos autos, a diretora da CVM Marina Copola afirmou que os envolvidos “obviamente se mostram bastante confortáveis em fazerem negócios apoiando-se mutuamente”.

As relações comerciais também aparecem em conversas extraídas do celular de Vorcaro e obtidas pelo “Valor Econômico”. Em agosto de 2024, Maurício Quadrado, ex-sócio do banqueiro, afirmou ter acertado com Tércio a divisão de um ganho potencial de R$ 1 bilhão em uma operação envolvendo ações da Ambipar: R$ 550 milhões ficariam com Tércio, R$ 285 milhões com Vorcaro e R$ 165 milhões com Quadrado. Segundo o jornal, essas transações ajudaram a elevar o patrimônio líquido do Master de R$ 2,4 bilhões, em 2023, para R$ 4,7 bilhões em 2024.

Silveira já ocupava um cargo de alto escalão na Ambipar durante o período das operações da companhia com o Master. Segundo seu perfil no LinkedIn, ele é presidente global institucional da empresa desde setembro de 2023. Em relatório publicado pelo B20 Brasil em setembro de 2024, aparece identificado como diretor institucional do grupo.

Rede alcança contador que pagou R$ 500 mil a escritório de Flávio

A rede de relações em torno da Ambipar também alcança Rogério Lourenço Novo, integrante do conselho fiscal da companhia desde abril de 2026. O contador é sócio da Contábil Corrêa, que pagou R$ 500 mil ao escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, e assumiu em 2025 a administração da Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master.

Novo também assumiu, em julho de 2025, a administração da Copenhagen e Assessoria e Consultoria, que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Em abril daquele ano, o escritório do senador havia emitido duas notas de R$ 500 mil para a Copenhagen, canceladas no mesmo dia. Dois dias depois, emitiu outra nota de R$ 500 mil para a Contábil Corrêa.

Há registro de vínculo entre Rogério Novo e a família Borlenghi ao menos desde 2009, conforme mostrou o núcleo investigativo do ICL Notícias. Naquele ano, o contador abriu uma transportadora em sociedade com Tércio Patini Borlenghi, filho do presidente da Ambipar. A parceria foi encerrada em 2016, de acordo com informações da Junta Comercial de São Paulo.

Doação direta a deputado do PL

Silveira também doou R$ 32.550 à campanha do deputado federal  Vinicius Carvalho (PL-SP) em 2026, que não foi reeleito.  O então deputado é autor do PL 4035/2021, que estimava incentivos tributários à cadeia de reciclagem, área de atuação da Ambipar.

Um documento do Instituto Atmos, do qual Silveira é diretor-executivo, classificou a proposta como uma “solução de curto prazo” para o setor. O projeto passou a tramitar em conjunto com o PL 1800/2021, que acabou sancionado em abril de 2026 como a Lei 15.394, com com benefícios fiscais para a compra e a venda de materiais recicláveis.

Vinicius Carvalho está no final de seu quarto mandato como deputado federal. Em 2026, filiou-se ao PL e tentou a reeleição, mas ficou na suplência: recebeu 12.773 votos, uma queda de 89% em relação aos 113.009 obtidos quatro anos antes.

Outro lado

Em resposta ao ICL Notícias, Marcus Vinícius Almeida Silveira informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comentaria o caso.

Procuradas por e-mail e telefone, as assessorias de Flávio Bolsonaro e do PL não responderam aos contatos da reportagem.

Rogério Lourenço Novo também não respondeu às mensagens enviadas pelo ICL.

O espaço segue aberto para manifestação.





ICL Notícias

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