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sexta-feira, 2 outubro, 2026
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Monitoramento aponta 13 mil ataques contra candidaturas LGBT+; Erika Hilton é principal alvo

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Por Gabriel Gomes

Um monitoramento de publicações no Instagram identificou 13 mil ataques direcionados a candidaturas LGBT+ durante as eleições de 2026. Os dados são da plataforma Sentinela, desenvolvida pelo Instituto Plena Cidadania (IPC), responsável pelo VoteLGBT, e divulgados nesta sexta-feira (2).

Desde o início do período eleitoral, o projeto acompanhou mais de 1 milhão de interações nas contas de candidaturas que autorizaram o monitoramento. Desse universo, 307.185 comentários com potencial de violência foram submetidos a uma análise mais aprofundada. Ao final, 13 mil foram classificados como ofensivos e dirigidos a uma pessoa ou candidatura identificável.

Segundo o levantamento, os ataques partiram de mais de 11 mil contas diferentes. A plataforma também encontrou sinais de recorrência: 1.267 perfis atacaram a mesma candidatura em mais de uma publicação. Entre eles, um grupo de 224 contas concentrou 1.718 comentários.

A violência atingiu principalmente candidaturas de mulheres, que representam 92,7% dos alvos, enquanto 83,6% das agressões foram direcionadas a candidaturas negras, de acordo com os resultados parciais.

Quatro candidaturas a deputada federal concentram 83% dos ataques identificados: Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG), Benny Briolly (PT-RJ) e Thabatta Pimenta (PV-RN). Candidata à reeleição, Hilton aparece como alvo de aproximadamente dois terços dos casos mapeados.

A Sentinela afirma ainda ter identificado, entre os autores de comentários classificados como transfóbicos, candidaturas vinculadas ao Novo, PSDB e PL.

Indícios de atuação coordenada

Um dos episódios destacados pelo levantamento envolve o vereador Fabrício Rosa (PT-GO), candidato a deputado estadual em Goiás. Segundo a Sentinela, 63 contas diferentes publicaram a mesma mensagem contra ele em um intervalo de aproximadamente três minutos.

Fabrício Rosa (PT-GO). (Foto: Foto: Gustavo Mendes/ Câmara Municial de Goiânia)
Fabrício Rosa (PT-GO). (Foto: Foto: Gustavo Mendes/ Câmara Municial de Goiânia)

Para os responsáveis pelo projeto, a combinação entre mensagens idênticas, grande número de perfis e curto espaço de tempo constitui um indício de comportamento coordenado, embora sejam necessárias investigações adicionais para determinar a origem e eventual articulação entre as contas.

O Instituto Plena Cidadania também informou ter protocolado, em 23 de setembro, uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra três candidatos a deputado federal por ataques considerados discriminatórios contra Erika Hilton e Duda Salabert. Segundo a entidade, as mensagens buscavam desqualificar as parlamentares por meio de referências à identidade de gênero.

O instituto também levanta questionamentos sobre eventual utilização de recursos públicos de campanha na produção ou disseminação de conteúdo discriminatório. A existência de irregularidade ou crime, no entanto, depende de apuração pelas autoridades competentes.

“No Brasil LGBTfobia é crime e o financiamento de campanha é público. No nosso entender, recursos públicos não deveriam ser usados para financiar crimes”, afirmou Gui Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania.

A plataforma utiliza coleta automatizada, classificação e inteligência artificial generativa para analisar os comentários. Segundo o IPC, casos considerados ambíguos são excluídos da contabilização para reduzir o risco de falsos positivos.

Os números ainda são parciais e continuarão sendo atualizados durante o processo eleitoral.





ICL Notícias

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