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quinta-feira, 20 agosto, 2026
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Trump sequestra G20 e quer cúpula para impôr novas regras do comércio

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O governo de Donald Trump vai instrumentalizar o G20 para transformar o grupo em um palco para sua guerra para redefinir as regras do comércio mundial. Os EUA presidem, em 2026, o bloco e, nas próximas semanas, receberão ministros dos países que fazem parte do G20.

Mas a agenda estabelecida pela Casa Branca para os debates causou irritação entre os delegados. A pauta será destinada quase exclusivamente a tratar dos temas que Washington colocou como prioridade para atacar a China e dezenas de países do mundo que foram alvos de tarifas.

Num convite a ministros do Comércio do G20 no final de setembro para uma reunião em Milwaukee, Wisconsin, os temas que Trump estabeleceu aparecem como as únicas prioridades para o encontro.

Uma delas é a “erradicação do trabalho forçado nas cadeias de suprimento de comércio”. Em julho, o governo norte-americano aplicou uma taxa de 12,5% a dezenas de países, sob a alegação de que esses governos não tinham regras suficientes para barrar a entrada de produtos que tenham usado trabalho escravo. Um dos afetados foi o Brasil.

Diplomatas consideram que essa manobra foi a forma encontrada pelos EUA para tentar frear o avanço do comércio chinês pelo mundo.

Países, assim, terão de optar: ou criam barreiras para os produtos chineses em seus mercados ou terão dificuldades para ter acesso aos mercados dos EUA para seu próprios produtos.

Outro tema escolhido por Trump para a agenda do G20 neste ano é o princípio da Nação Mais Favorecida. A regra norteou o comércio internacional por décadas e estipulava, no fundo, que todos deveriam ser tratados de forma igual. Ou seja, se um país aplicava 10% de tarifas a um produto chinês, teria de fazer o mesmo para todos os demais países.

Washington, porém, quer agora uma “atualização” da regra, justamente para poder dosar quanto vai cobrar de cada um.

Outros dois temas ainda entram na agenda: a “denúncia da instrumentalização do comércio de alimentos e o excesso de capacidade de produção”. Ambos os temas, uma vez mais, se referem à disputa contra a China pela hegemonia comercial no mundo.

Se tradicionalmente a presidência do G20 é quem dita a agenda dos encontros, sua construção é sempre realizada em consultas com os demais parceiros, principalmente a presidência prévia do bloco e a presidência que sucederá ao atual comando. Desta vez, segundo embaixadores que fizeram parte das reuniões preparatórias, os EUA chegaram com a agenda pronta.





ICL Notícias

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