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sábado, 1 agosto, 2026
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Super El Niño pode aumentar conta de luz em até 4,5% em 2027, aponta estudo

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O provável “super El Niño” pode elevar em média 2,1% as tarifas de energia para consumidores de baixa tensão em 2027, segundo estudo da Ampere Consultoria em parceria com a TR Soluções. Quando o efeito das bandeiras tarifárias também é levado em conta, esse aumento médio nas contas pode chegar a 4,5%.

Segundo o levantamento, o estudo já projeta o acionamento de bandeiras vermelhas entre julho e outubro de 2027, o que reforça a pressão sobre as contas de energia nesse período.

O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, capaz de alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta. No Brasil, seus efeitos costumam atingir a agricultura, os recursos hídricos e a frequência de eventos climáticos extremos.

As variações de 2,1% e 4,5% são acréscimos que se somam aos reajustes ou revisões tarifárias já previstos, e não percentuais isolados. Ou seja, se uma distribuidora tivesse reajuste de 10% num cenário sem El Niño, o impacto passaria a 12,1% com o fenômeno. Considerando também o efeito das bandeiras tarifárias, esse mesmo reajuste de 10% chegaria a 14,5%.

Super El Niño é muito provável, segundo modelos cli´maticos. E com ele aumeta o risco de ondas de calor, secas, incêndios e mudanças no regime de chuvas (Foto: Reprodução)

Por que se fala em ‘super’ El Niño

Modelos climáticos internacionais apontam alta probabilidade de formação de um El Niño na segunda metade de 2026, e parte das projeções indica que o fenômeno pode atingir intensidade forte ou até extrema, cenário chamado de “super El Niño”. Se isso se confirmar, cresce o risco de ondas de calor, secas, incêndios e mudanças no regime de chuvas, com possível impacto sobre a geração de energia hidrelétrica.

Para chegar às projeções de aumento nas tarifas, as consultorias compararam dois cenários hidrológicos: um com a ocorrência de um super El Niño e outro sem a influência do fenômeno. No cenário com o fenômeno, o período úmido entre 2026 e 2027 deve terminar com os reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) em torno de 70% da capacidade em abril. Sem a influência do El Niño, a projeção de armazenamento sobe para cerca de 80%.

Bandeiras vermelhas previstas para 2027

Considerando o cenário do super El Niño, o estudo prevê o acionamento das bandeiras vermelhas patamar 1 e patamar 2 ao longo de quatro meses de 2027, entre julho e outubro. O maior impacto tarifário deve ocorrer na região Sul, onde a diferença média entre os dois cenários simulados chega a 3,3 pontos percentuais.

Segundo as consultorias, o efeito sobre as tarifas passa pelas bandeiras tarifárias e é influenciado por variáveis como o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), o risco hidrológico, os encargos do setor elétrico e os custos ligados aos contratos de compra de energia das distribuidoras. Nos demais meses, a tendência é de predomínio da bandeira verde no primeiro semestre e da bandeira amarela durante o período seco, um comportamento parecido com o cenário sem o fenômeno.

Como funciona o sistema de bandeiras

O sistema de cores criado pela Aneel sinaliza as condições de geração de energia no país. Quando chove pouco e as hidrelétricas geram menos eletricidade, é preciso acionar usinas termelétricas, que custam mais caro para operar. Para cobrir esse custo extra, a Aneel aciona as bandeiras amarela, vermelha patamar 1 ou vermelha patamar 2, que adicionam uma taxa à conta de luz.

Quanto custa cada bandeira tarifária

Cada bandeira acionada pela Aneel representa um custo extra diferente para o consumidor:

  • Bandeira verde, com condições favoráveis de geração de energia: sem custo extra;
  • Bandeira amarela, com condições menos favoráveis: R$ 18,85 por MWh utilizado, ou R$ 1,88 a cada 100 kWh;
  • Bandeira vermelha patamar 1, com condições desfavoráveis: R$ 44,63 por MWh utilizado, ou R$ 4,46 a cada 100 kWh;
  • Bandeira vermelha patamar 2, com condições muito desfavoráveis: R$ 78,77 por MWh utilizado, ou R$ 7,87 a cada 100 kWh.





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