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quinta-feira, 30 julho, 2026
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Rajadas de ventos de até 125 km/h deixam 3 mortos em SP e 2 no Rio

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Por André Fleury, Claudinei Queiroz, Yuri Eiras, Bruna Fantti, Nicola Pamplona e Ítalo Nogueira

(Folhapress) – Uma forte ventania, com rajadas chegando a 125 km/h, provocou muitos estragos e pelo menos cinco mortes nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29).

O vento deixou ainda centenas de milhares de pessoas sem luz, levou a atrasos de voos e causou o caos nas duas maiores cidades brasileiras.

A primeira morte ocorreu em Santos (no litoral paulista), onde as rajadas chegaram a 111,8 km/h às 12h40, segundo a prefeitura. Um homem em situação de rua foi atingido por uma árvore que caiu na avenida Almirante Cochrane, no Canal 5, e morreu no local.

Em boletim, a prefeitura divulgou que houve 23 quedas de árvores, além de seis quedas de muros e destelhamento de casas na cidade. Houve ainda a queda de um contêiner no Porto de Santos, que atingiu a rede elétrica.

A segunda morte relacionada ao vendaval ocorreu em Cesário Lange, na região de Sorocaba (no interior de São Paulo). Uma árvore caiu sobre um carro e matou o motorista.

A terceira foi um homem de 50 anos que estava em um barco de pesca que naufragou na altura do bairro Cigarras, em São Sebastião, litoral norte do estado. Ainda não foram divulgados detalhes sobre as vítimas.

Outras quatro pessoas que estavam na embarcação foram socorridas e passam bem. Duas apresentavam quadro clínico estável e duas estavam com hipotermia.

Além dessas mortes, houve ainda um acidente com um avião de pequeno porte na zona rural de Mogi Mirim, e o piloto morreu carbonizado. As autoridades ainda investigam se a queda foi causada pela ventania.

As cidades paulistas que registraram as rajadas mais fortes foram Itaporanga e Itaí, segundo a Defesa Civil, com ventos de 124,9 km/h. Em Taquarituba, chegou a 117 km/h e, em Itanhaém, houve rajadas de até 103 km/h.

Ventania causou destruição em Santos, SP. — Foto: Reprodução
Ventania causou destruição em Santos, SP. — Foto: Reprodução

Na região metropolitana de São Paulo, a Defesa Civil registrou 75,3 km/h no bairro da Saúde (na zona sul) e 71 km/h em São Caetano do Sul. No aeroporto de Congonhas, as rajadas chegaram a 70,4 km/h.
Os ventos começaram a atingir a capital paulista no início da tarde e levaram a Defesa Civil estadual a disparar às 13h50 um alerta severo sobre fortes rajadas na região. “Busque abrigo e evite áreas descobertas. Não fique embaixo de árvores e postes”, disse o comunicado.

Foram mais de 40 avisos de árvores derrubadas ao longo do dia, conforme os bombeiros.
Segundo a Enel, 106 mil clientes chegaram a ficar sem energia elétrica na área de concessão (que abrange a cidade de São Paulo e Grande SP). Na capital, o pico do apagão foi de 62 mil imóveis sem luz. Às 20h28, os números haviam diminuído para 48,4 mil e 38,9 mil, respectivamente.

Além disso, ao menos 30 voos programados para o aeroporto de Congonhas (que fica na zona sul da cidade), foram afetados. A concessionária Aena disse que oito chegadas e sete partidas foram canceladas, além de 15 voos alterados.

Em Guarulhos, dois voos tiveram de ser alternados para outros aeroportos, segundo a Gru Airport.
A concessionária disse que os passageiros com viagens programadas deveriam verificar a situação de seus voos diretamente com as companhias aéreas antes de se deslocarem ao aeroporto.

Estragos e mortes no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a ventania paralisou a circulação de trens e metrô e também alterou o destino de quatro voos no aeroporto internacional do Galeão. Além disso, ela provocou um apagão em todas as regiões da cidade em parte do estado, atingindo cerca de 500 mil imóveis às 18h49.

A Light afirmou que o fornecimento na zona sul, centro e Tijuca havia sido restabelecido até o fim da tarde, embora outras áreas ainda seguissem sem energia.

Duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central do Rio, conforme a Defesa Civil. Há ainda buscas por um pescador desaparecido em Angra dos Reis, no sul do estado.

Até o início da noite o Corpo de Bombeiros do Rio havia sido acionado para cinco desabamentos, 31 salvamentos de pessoas e 93 cortes de árvores. Viaturas, ambulâncias e embarcações foram mobilizadas.

Na Barra da Tijuca, o empresário de construção civil Paulo Edson Lamelha gravou em vídeo o momento em que três funcionários do condomínio Barra Bali ficaram pendurados em um andaime, na altura do oitavo andar. A estrutura balançava com a ventania.

“Eles conseguiram segurar na sacada, ficaram cerca de uma hora nessa posição e saíram pela sacada de um apartamento”, diz Lamelha.

Passageiros na barca que faz a travessia Charitas-Rio

 

O vento interrompeu ainda por completo a circulação do metrô nas linhas 1, 2 e 4, com composições parando no meio do trajeto pela falta de energia, de acordo com usuários. A operação dos trens chegou a ser paralisada em todos os ramais.

Às 17h53, o MetrôRio informou que os intervalos dos trens estavam em processo de normalização nas linhas 1 e 4. A linha 2, a de maior demanda em horários de pico por ligar a zona sul à Pavuna, na zona norte, permanecia com circulação interrompida.

O funcionamento do BRT, sistema de corredor exclusivo de ônibus, também foi impactado. A estação Dom Bosco, em Santa Cruz, foi fechada para embarque e desembarque por conta de danos ao telhado. O trânsito é intenso em diferentes pontos da cidade, com semáforos apagados.

A ponte Rio-Niterói tem fluxo intenso em toda a extensão no início da noite. O tempo de travessia, que fora do horário de pico costuma ser de 13 minutos, estava em 50 minutos para o sentido Niterói, e 38 minutos para o sentido Rio, por volta das 17h40.

A administradora da ponte afirma que alguns trechos do trajeto recebem impactos da ventania.
Diante do avanço da ventania, com rajadas de cerca de 70 km/h, o COR-Rio (Centro de Operações e Resiliência) colocou a cidade em estágio 2 às 16h50 desta quarta. O nível, também chamado de estágio de atenção, é o segundo em uma escala de cinco e indica risco de ocorrências de alto impacto, com potencial de agravamento.

O órgão registrou quedas de árvores nas zonas sul, norte e oeste, além da Ilha do Governador, bairro onde está localizado o aeroporto do Galeão.

Chegada da frente fria a regiões quentes

De acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) da Prefeitura de São Paulo, a ventania que atingiu a região Sudeste nesta quarta é resultado “do forte contraste térmico entre o ar quente que predomina sobre parte do sudeste e o ar frio com a aproximação do sistema frontal”.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a temperatura chegou aos 29°C por volta das 13h no aeroporto de Congonhas, mas, com a entrada do vento frio, a temperatura baixou rapidamente para 21°C às 13h30, provocando rajadas de vento com 70 km/h às 14h31.

Na semana passada, um vendaval com as mesmas características que atingiu Ribeirão Preto com rajadas de vento de até 121 km/h levou a cidade a registrar sua maior tragédia climática em 32 anos.
Uma pessoa morreu, cerca de 20 ficaram feridas e cinco hospitais públicos foram afetados. Também houve interrupção no abastecimento de água, falhas nos serviços de telefonia e internet e mais de 200 árvores caíram sobre vias e a rede elétrica.





ICL Notícias

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