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quarta-feira, 29 julho, 2026
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O racismo empobrece o Brasil: é isso que você quer?

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Por Frei David Santos e Marlon Reis*

O Brasil precisa perguntar quanto custa à nação, o racismo. A seguinte pergunta é: quanto o Brasil já perdeu — e continua perdendo –por não erradicá-lo?

Tradicionalmente, o racismo no Brasil é debatido sob as óticas moral, histórica e jurídica. Ele é, indubitavelmente, tudo isso. Contudo, do ponto de vista do desenvolvimento nacional e da ordem constitucional socioeconômica (art. 170 da CF/88), o racismo estrutural é uma falha de mercado de primeira grandeza e um vetor direto de empobrecimento nacional.

Ao manter a maioria negra (55,5% da população brasileira, segundo o IBGE) subjugada a menores salários, restrição ao crédito, déficit patrimonial e exclusão dos espaços decisórios, o país sabota sistematicamente seu próprio potencial produtivo.

O prejuízo do racismo não afeta apenas quem sofre a discriminação direta; ele paralisa a economia inteira dp país. Os brancos são um dos principais perdedores com a prática do racismo.

Dados do IBGE (PNAD Contínua) apontam que a disparidade de ganhos entre trabalhadores brancos e negros supera os 60% em rendimento-hora. Essa assimetria retira bilhões de reais do consumo das famílias, a circulação do dinheiro gerando riquezas é impactado, reduz a poupança interna e deprime a arrecadação tributária do Estado.

Segundo levantamentos do Instituto Ethos, embora sejam a maioria populacional, pessoas negras ocupam menos de 5% dos cargos de alta liderança e conselhos de administração nas maiores empresas do país. A falta de diversidade no topo não é apenas uma violação ética: é perda de inteligência estratégica e destruição de valor corporativo.

Pesquisas indicam que empreendedores negros enfrentam maior taxa de indeferimento de crédito bancário e juros mais altos, mesmo com capacidade técnica equivalente. Sem garantias patrimoniais ou acesso justo ao capital de giro, milhões de negócios viáveis são sufocados antes de nascer. Cada negócio impedido é emprego não gerado e riqueza não distribuída.

Toda criança ou jovem negro marginalizado no sistema educacional representa uma perda irrecuperável de produtividade e inovação para o país. As políticas de cotas e permanência estudantil não são meras concessões: são investimentos estratégicos de altíssimo retorno social e econômico para brancos e negros do país.

Estudo internacional conduzido pelo Citigroup nos EUA demonstrou que a discriminação racial custou US$ 16 trilhões ao PIB norte americano, em duas décadas. Transpondo essa lógica para a realidade brasileira — onde a população atingida é maioria, e não minoria –, a conta da segregação estrutural alcança a casa dos trilhões de reais perdidos em crescimento econômico.

Do ponto de vista jurídico-constitucional, permitir a perpetuação do racismo estrutural e institucional afronta o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil de erradicar a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais (art. 3º, III, CF/88). O detentor do capital precisa compreender que o racismo é um péssimo negócio. Uma economia que exclui mais da metade de seu povo condena a si mesma à pequenez e à dependência.

A superação do racismo econômico é o único caminho capaz de alavancar o PIB brasileiro, fortalecer o mercado interno e reposicionar o Brasil entre as maiores potências econômicas globais.

Combater o racismo, punir severamente suas manifestações estruturais e institucionais e reparar as dívidas históricas por meio de políticas públicas robustas (crédito afirmativo, compras públicas inclusivas, cotas e diversidade nos conselhos) não é benevolência. É justiça distributiva, imperativo constitucional e a decisão econômica mais inteligente que o Brasil pode tomar.

Principais fontes, relatórios e pesquisas citados:

1. IBGE – PNAD Contínua e Desigualdades por Cor ou Raça
Síntese de Indicadores Sociais / Desigualdades Por Cor ou Raça (Portal do IBGE – Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil)

PNAD Contínua (Mão de Obra e Rendimento) (Portal do IBGE – PNAD Contínua)

2. Instituto Ethos – Pesquisas sobre Diversidade e Liderança
Relatório do Perfil Social, Racial e de Gênero nas Maiores Empresas (Portal do Instituto Ethos – Publicações e Pesquisas)

3. Citigroup – Relatório “Closing the Racial Inequality Gaps”
Estudo Econômico Global sobre o Custo da Desigualdade Racial (US$ 16 Trilhões) (Citi GPS – Closing the Racial Inequality Gaps (PDF Oficial)

4. SEBRAE e Banco Central – Empreendedorismo Negro e Crédito

Pesquisas de Empreendedorismo do SEBRAE (Portal de Estudos e Pesquisas do SEBRAE) Relatórios de Cidadania Financeira do Banco Central (Banco Central do Brasil – Inclusão e Cidadania Financeira

5. Legislação e Constituição Federal (Planalto)
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (Portal do Planalto – Constituição Federal de 1988)

*Frei David Santos OFM, especialista em ações afirmativas
*Marlon Reis, advogado e pós-doutor em Direito

 





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