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quinta-feira, 23 julho, 2026
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Sem rota livre no Oriente Médio, petróleo dispara mais de 7% e atinge valor de US$ 100

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O preço do petróleo voltou a disparar nesta quinta-feira (23), com alta superior a 7% e retorno à casa dos US$ 100 pela primeira vez em quase dois meses. O movimento reflete o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, agora somado à entrada dos houthis, grupo do Iêmen aliado de Teerã, que intensificou o estrangulamento no transporte de petróleo produzido no Oriente Médio.

O barril Brent, referência internacional, chegou a US$ 100,97 (R$ 512,41) por volta das 11h no horário de Brasília, alta de 7,33% e o maior valor desde 22 de maio, quando a cotação havia alcançado US$ 102,77. O petróleo não atingia a casa dos três dígitos desde 26 de maio. O WTI, referência usada nos Estados Unidos, também subiu, com alta de 5,15%, cotado a US$ 91,30 (R$ 463,34).

A disparada tem origem direta nos ataques dos houthis a embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. Nesta quinta, dois navios foram atingidos na rota que vinha sendo usada como alternativa ao estreito de Hormuz, que segue bloqueado para tráfego marítimo. Autoridades de transporte sauditas confirmaram o ataque a uma das embarcações; a outra ofensiva foi assumida pelos próprios houthis, em comunicado à emissora Al-Masirah, mas ainda sem confirmação saudita.

As embarcações atingidas trafegavam pelo Mar Vermelho em direção ao estreito de Bab al-Mandab, que liga a região ao golfo de Aden e ao Oceano Índico, e que vinha servindo como principal alternativa ao bloqueio em Hormuz para o escoamento de petróleo saudita rumo à Ásia. Os houthis já haviam avisado, no início da semana, que atacariam qualquer embarcação que cruzasse o Mar Vermelho.

Imagem divulgada por imprensa aliada aos Houthis mostra navio em chamas em julho de 2026 (Foto: Reprodução)

Reações internacionais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou os ataques e responsabilizou diretamente o Irã pela escalada. Em publicação na Truth Social, afirmou: “Infelizmente, agora eles estão recomeçando, tendo disparado contra dois navios da Arábia Saudita ontem à noite. Que esta verdade sirva para deixar claro que, se eles fizerem isso novamente, os EUA responsabilizarão o Irã, já que os houthis são um substituto e/ou representante do Irã, e uma punição militar severa será infligida ao Irã e, é claro, aos próprios houthis.”

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, classificou os ataques de “inaceitáveis” e cobrou a retomada da livre navegação. “A navegação precisa ser liberada no estreito de Hormuz e no Mar Vermelho”, declarou.

O impacto da paralisação no Mar Vermelho

A Arábia Saudita depende hoje de um oleoduto que liga o leste ao oeste do país, com destino ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, por onde escoa cerca de 4,9 milhões de barris diários entre petróleo bruto e combustíveis refinados, segundo dados da consultoria de energia Kpler. Diversos navios-tanque que transportavam petróleo bruto saudita pelo Mar Vermelho deram meia-volta ao longo da semana, diante das ameaças dos houthis.

O cenário se soma ao impasse já existente em Hormuz, estreito por onde passa 20% de toda a produção mundial de petróleo e gás e que voltou a ser bloqueado pelo Irã há duas semanas, quando os confrontos entre Washington e Teerã foram retomados.

Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, o cenário aumenta a preocupação com os prazos de entrega do petróleo produzido na região. “Cresce a expectativa de atrasos cada vez maiores nas entregas, principalmente para a Ásia, região mais afetada por essa restrição de oferta. China e Índia, os dois maiores consumidores de petróleo do continente, tendem a ser os países mais impactados”, afirmou. Ele completa: “O mercado permanece bastante atento ao risco de uma restrição ainda maior na oferta de petróleo do Oriente Médio. A expectativa é que isso provoque uma disrupção mais significativa no abastecimento global, reduzindo o volume disponível para processamento nas refinarias.”

Guerra segue em curso entre EUA e Irã

Enquanto o mercado reage à crise no transporte marítimo, os confrontos diretos entre os dois países continuam. Nesta quinta, os Estados Unidos realizaram uma nova série de bombardeios contra o território iraniano, enquanto o regime de Teerã afirmou ter atacado bases e instalações militares americanas na Jordânia e no Kuwait.

Em encontro diplomático no Sudeste Asiático, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adotou tom duro em relação ao Irã, dizendo que o custo da resistência iraniana “ficará mais alto a cada noite” até que Teerã aceite um acordo de paz que efetivamente cumpra. “O Irã está implorando (por um acordo) todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fazem um acordo… ou o quebram ou querem alterá-lo”, disse. “Então, agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, à medida que continuam sofrendo grandes perdas.”

Já o porta-voz militar iraniano, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, afirmou à TV estatal do país que o Irã manterá as retaliações enquanto os ataques americanos à infraestrutura e às áreas costeiras iranianas continuarem.





ICL Notícias

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