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quinta-feira, 9 julho, 2026
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Entre escombros e morte, Copa se transforma em ato de resistência em Gaza

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Texto de Jamil Chade e fotos de Mohamed Ahmed

 

O cessar-fogo em Gaza é, para muitos, uma ilusão. As mortes continuam a afetar os palestinos e a ideia de uma reconstrução é ainda um sonho distante. Mas nem por isso a mágica da Copa do Mundo deixa de existir. Em Gaza, ela serve como uma suspensão da realidade e um ato de resistência. Mas também um espelho do drama de uma população inteira.

Nesta semana, uma pequena multidão se reuniu para acompanhar o jogo entre Argentina e Egito. Um telão foi montado num local onde, antes, ficava um prédio. Os destroços da vizinhança continuam ali e serviram de arquibancada. A torcida era limitada apenas pelas barracas de palestinos que continuam sem casa, esgoto ou esperança.

As bandeiras do Egito tremulavam. A simpatia pelo time do Cairo não se limitava ao fato de ser um país árabe.

Após a classificação inédita do Egito para as oitavas de final da Copa do Mundo, o técnico da seleção egípcia Hossam Hassan comemorou a vitória com uma bandeira da Palestina no estádio de Dallas, nos Estados Unidos.

Dias depois, às vésperas de enfrentar Messi, o treinador assumiu uma postura de defesa das vítimas da guerra. “Se alguém não sentiu o sofrimento do povo palestino, não tem humanidade”, disse.

“Ter um teto, ar-condicionado. Isso não vale para o povo palestino. Para as crianças. Temos que sentir essa empatia. Sejam cristãos, muçulmanos. Quando choveu aqui, buscamos refúgio. Lá, não há refúgio. Deveríamos nos envergonhar como humanidade. Todos somos iguais. Temos a mesma cara, os mesmos traços. Todo mundo faz vista grossa. Se distraem com outras coisas”, disse.

O gesto do treinador lhe valeu um status de herói em Gaza. Num dos esqueletos de um prédio bombardeado, uma foto gigante de Hassan foi colocada.

Maha Abdel Ghafour relata o que a Copa significava. “Apesar de nossos ferimentos, nós apoiamos com todo nosso coração a seleção do Egito”, disse. “Apesar da destruição e sofrimento, expressamos nossa alegria em Gaza e nossa solidariedade com o time egípcio.

Mas o Mundial é também um reflexo de uma paz inexistente. Instantes antes de a partida começar, na última terça-feira, um palestino que organizava transmissões de jogos foi morto por um ataque de míssil israelense.

A vítima era Mohamed al-Wahidi, de 57 anos, diretor do Comitê Egípcio em Gaza, trabalhava há anos em projetos de ajuda e desenvolvimento no território palestino. Israel confirmou o ataque, mas admitiu que al-Wahidi não era o alvo e que o míssil tinha como missão matar um “terrorista da ala militar do Hamas”.

Al-Wahidi havia sido fundamental para garantir que o jogo pudesse ser transmitido. No mesmo disparo, dois irmãos, de oito e dez anos, também morreram.

A escolha dos organizadores da transmissão foi por manter o evento. Não era mais apenas um jogo da Copa. Era um ato de resistência.

O resultado da partida? Sobreviver.





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