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terça-feira, 2 junho, 2026
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ONU soa alerta sobre El Niño: ‘O mundo precisa se preparar’

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O mundo precisa se preparar para meses de eventos climáticos extremos, incluindo uma possível seca mais aguda na Amazônia e no Nordeste, assim como chuvas torrenciais no Sudeste do país. O apelo é da Organização Meteorológica Mundial, uma agência da ONU.

Nesta terça-feira, a entidade emitiu o primeiro alerta global sobre o fenômeno do El Niño a partir de dezenas de dados fornecidos por agências de clima de vários países. O monitoramento da OMM é considerado como a maior referência no acompanhamento do impacto de fenômenos climáticos no mundo.

“A ciência é clara: o El Niño está chegando à nossa porta nos próximos meses com 90% de certeza”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. “O mundo precisa tratá-lo como o alerta climático urgente que ele é”, insistiu.

Segundo ele, as condições do El Niño “vão alimentar ainda mais o aquecimento global”. “Os impactos serão ainda mais fortes, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com
velocidade devastadora”, alertou.

Em sua avaliação, a única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise – acabar com o
vício em combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis, proteger os mais
vulneráveis ​​e fornecer sistemas de alerta precoce para todos.

No informe, os técnicos destacam que, impulsionado por águas oceânicas excepcionalmente quentes no Pacífico, o El Niño está se desenvolvendo e deve influenciar os padrões globais de temperatura e chuvas, aumentando o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses.

De acordo com a entidade, existe uma probabilidade de 80% de um evento El Niño durante o período de junho a agosto de 2026. As probabilidades de que isso continue até pelo menos novembro são próximas ou superiores a 90%.

“Embora ainda haja alguma incerteza sobre a intensidade e o momento do pico do El Niño, a maioria dos modelos de previsão sugere que ele será pelo menos moderado – e possivelmente forte”, constatou a agência.

As atualizações da OMM sobre El Niño são a fonte de informação mais confiável do mundo para governos, agências humanitárias e setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, energia e gestão de recursos hídricos.

Quais são os sinais

De acordo com a agência, entre o final de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial – a área utilizada como referência de monitoramento – estava se aproximando dos limiares do El Niño.

“Essas anomalias crescentes na superfície são alimentadas por condições subsuperficiais excepcionalmente quentes em todo o Pacífico tropical, com temperaturas superiores a 6 °C acima da média, o que proporciona um reservatório substancial de calor que contribui para o aquecimento superficial observado”, explicou.

Enquanto isso, o Índice de Oscilação Sul – que é o componente atmosférico do El Niño – também é consistente com o desenvolvimento de condições de El Niño.

“Precisamos nos preparar para um evento El Niño potencialmente forte, que exacerbará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano”, insistiu a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

“O El Niño mais recente, em 2023-24, foi um dos cinco mais fortes já registrados e desempenhou um papel importante nas temperaturas globais recordes que vimos em 2024”, disse.

A intensidade do El Niño é extremamente significativa – seja ele classificado como fraco, moderado, forte ou muito forte. “Mesmo um El Niño moderado torna alguns eventos climáticos extremos mais prováveis”, indicou a agência.

A OMM não utiliza o termo “super El Niño” porque ele não faz parte das classificações operacionais padronizadas. Mas a agência alerta que o fenômeno pode amplificar os impactos climáticos, pois um oceano e uma atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade para eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas.

Cada evento El Niño é único em termos de sua evolução, padrão espacial e impactos. No entanto, ele é tipicamente associado ao aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, partes do Chifre da África e Ásia Central, e a condições mais secas na América Central, norte da América do Sul, Caribe, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.





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