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terça-feira, 19 maio, 2026
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Na OMS, Brasil propõe restrição global à venda de alimentos ultraprocessados

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Numa proposta inédita, o governo do Brasil costura a criação de uma regulamentação global para a venda de alimentos ultraprocessados. O objetivo é o de preservar crianças e adolescentes, com regras para publicidade digital e até proibir a venda desses produtos em escolas ou eventos esportivos.

A ideia será apresentada pelo ministro Alexandre Padilha que, nesta semana, está em Genebra para a Assembleia Mundial da Saúde. O rascunho da proposta, obtida com exclusividade pelo ICL Notícias, também pede o envolvimento da OMS e especialistas para desenhar os modelos de regulamentação das vendas desses produtos, assim como um monitoramento anual sobre a exposição da população aos alimentos ultraprocessados.

O objetivo do governo brasileiro é o de construir um apoio amplo ao projeto para que ele possa ser votado no início de 2027 na OMS.

O que diz a proposta:

Na resolução que começa a circular entre governos e já tem o apoio de México e Uruguai, o projeto pede que países “desenvolvam, fortaleçam e implementem quadros regulamentares abrangentes para restringir a comercialização de alimentos ultraprocessados, com particular ênfase na proteção de crianças e adolescentes”.

Isso significa:

Adotar definições e sistemas de classificação claros e baseados em evidências para alimentos ultraprocessados

Restringir e, quando apropriado, proibir a comercialização, a publicidade, a promoção e o patrocínio de alimentos ultraprocessados ​​em locais onde crianças e adolescentes estejam presentes ou constituam uma proporção substancial do público, incluindo escolas, unidades de saúde, eventos esportivos e culturais;

Regular as práticas de marketing digital, incluindo publicidade direcionada, marketing de influência, advergames, personalização baseada em dados e conteúdo digital transfronteiriço, para evitar a exposição de crianças e adolescentes à comercialização de alimentos ultraprocessados;

Abordar todas as formas de mídia, incluindo radiodifusão, mídia impressa, mídia exterior, mídia online, mídias sociais e plataformas digitais emergentes;

Medidas voluntárias da indústria são ‘insuficientes’

Nos argumentos apresentados pelo Brasil, o governo destaca que a regulamentação não seria a primeira a limitar o acesso de crianças a produtos que possam causar algum tipo de impacto. Em 2010, algo similar foi adotado para a comercialização de alimentos e bebidas não alcoólicas para crianças. Em 2016, outra medida foi adotada colocando um fim à promoção inadequada de alimentos para lactentes e crianças pequenas.

Em 2022, foi a vez de um pacote de recomendações para a prevenção da obesidade. Finalmente, em 2025 e liderada pelo Brasil, a OMS aprovou uma regulamentação do marketing digital de substitutos do leite materno e alimentos para lactentes e crianças pequenas.

No fundo, explicou Padilha, aquela havia sido a primeira medida concreta sobre ultraprocessados.

Outro argumento usado pelo Brasil se refere ao fato de que “dietas pouco saudáveis ​​são um dos principais fatores de risco para doenças não transmissíveis, incluindo obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e certos tipos de câncer, e que essas condições afetam desproporcionalmente crianças, adolescentes e populações em situação de vulnerabilidade”.

O governo cita, por exemplo, o crescente consumo global de alimentos ultraprocessados ​​e as evidências que “demonstram associações consistentes entre o alto consumo desses alimentos e o aumento do risco de obesidade, doenças cardiometabólicas, transtornos mentais, mortalidade prematura e outros desfechos adversos à saúde ao longo da vida”.

No texto da resolução, ela ainda reconhece “as evidências de que a expansão do mercado de alimentos ultraprocessados ​​é impulsionada, em parte, por práticas de marketing intensivas e generalizadas”.

O documento também aponta para estratégias de marketing agressivas, como alegações de saúde e nutrição, cores vibrantes, personagens atraentes para crianças, jingles, celebridades, promoções e brindes colecionáveis, principalmente por meio do marketing digital.

Isso, segundo a proposta, influencia “significativamente as preferências alimentares, as decisões de compra e os padrões de consumo, especialmente entre crianças e adolescentes”.

Para o governo, as abordagens voluntárias existentes e a autorregulamentação da indústria se mostraram “insuficientes para proteger as populações da exposição ao marketing onipresente e persuasivo de alimentos ultraprocessados”.





ICL Notícias

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