Por Cristiane Gercina
(Folhapress) – Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso –, segundo pesquisa Genial Quaest realizada entre os dias 8 e 11 de maio. O levantamento ouviu 2.004 brasileiros acima de 16 anos em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O fim da escala recebeu o apoio de 68% dos entrevistados. Em dezembro, 72% haviam sido a favor de reduzir a jornada. São contra a mudança 22% dos entrevistados e 7% não sabem ou não responderam.
A redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário está sendo debatida por comissão especial na Câmara dos Deputados. O relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) deve ser apresentado nesta quarta-feira (20).
Os resultados são similares aos de pesquisa Datafolha realizada em março, quando 71% dos entrevistados disseram ser favoráveis à diminuição da jornada.
O levantamento mostra ainda que o cenário eleitoral pode estar influenciando os trabalhadores. Entre dezembro e maio, caiu o apoio de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao fim da escala 6×1. Em dezembro, 92% dos que votaram no atual presidente disseram ser a favor de mudar a jornada. No levantamento atual, o percentual é de 76%.
Na esquerda não lulista, o apoio se mantém o mesmo, 89% em dezembro e 88% agora. Entre a direita não bolsonarista houve estabilidade. O total dos que apoiam o fim da escala 6×1 é de 55%. Em dezembro, era de 52%. A margem de erro para os recortes por apoio político é maior, de cinco ou seis pontos percentuais, a depender da região do país.
Quando se trata em cortar jornada e salário, cai o total dos que apoiam o fim da escala 6×1. Neste caso, 60% (6 em cada 10) dizem que são a favor, 39% são contra e 4% não souberam ou não responderam. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral e protocolada sob o número br-03598/2026, no dia 7 de maio.
O primeiro ponto da Constituição a ser alterado pela PEC é o parágrafo 13 do artigo 7º, onde se lê que a jornada é de 44 horas e será alterada para 40 horas.
O que deve mudar na Constituição?
A redação deve ficar da seguinte forma: “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.
“Lembrando que eu quero dizer que nós estamos tratando de diminuição do teto máximo e não de compressão de jornada. Quem tá abaixo de 40 continua com a sua jornada de trabalho”, afirmou.
O outro ponto a ser mudado está no parágrafo 15 do mesmo artigo, que trata sobre o repouso semanal remunerado. Como o acordo é para aprovação da escala 5X2, onde se lê na Constituição que há o direito ao repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, deverá haver a expressão “direito a dois repousos semanais remunerados, um deles preferencialmente aos domingos”.
O terceiro ponto deve ser incluir um veto à redução de salário, com punição a quem descumprir. Segundo ele, caso seja estabelecida uma regra de transição para adaptação das empresas, aquelas que reduzirem salários em descumprimento da norma perderão o direito a qualquer benefício ou flexibilização previsto nesse período.
Embora afirme ser apenas um taquígrafo do presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), Prates deixou claro que as ideias básicas já estão sendo delimitadas por ele. “Essas seriam as ideias básicas”, disse.
Entenda o fim da escala 6×1
As mudanças na Constituição estavam sendo debatidas no Congresso por meio de duas PECs, a 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foram apensadas. Elas alteram parágrafo 13 do artigo 7º e focam em diretrizes gerais para todos os trabalhadores urbanos e rurais.
As duas reduzem a carga horária de 44 horas semanais para 36 horas semanais. A de Erika, redigida com o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que trouxe o debate da escala para as redes sociais, institui a escala 4×3. Com acordo entre o governo e a Câmara, a jornada deve ser reduzida para 40 horas.



