A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta sexta-feira (15), manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de 24 produtos da marca Ypê, entre detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria colegiada do órgão após análise do recurso apresentado pela empresa.
O relator do caso e diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que as medidas corretivas adotadas pela companhia ainda não são suficientes para garantir a segurança dos produtos. Segundo ele, as inspeções identificaram falhas estruturais nos processos de controle de qualidade, incluindo problemas relacionados à água utilizada na fabricação.
“A área técnica classificou como elevado o risco de contaminação”, declarou Safatle durante a reunião extraordinária da agência.
Falhas sistêmicas e risco sanitário
De acordo com a Anvisa, os fiscais encontraram “deficiências sistêmicas” nas boas práticas de fabricação da unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. Um dos pontos considerados mais graves pela agência foi a dificuldade da empresa em identificar lotes potencialmente contaminados.
Segundo Safatle, a falha evidencia não apenas problemas de prevenção, mas também limitações na capacidade de resposta após a detecção de irregularidades.
“O sistema, além de não prevenir a contaminação, falhou após detectá-la, não identificando e tratando adequadamente os lotes afetados. Portanto, há o risco potencial de produtos contaminados serem comercializados”, afirmou o diretor-presidente.
A decisão da agência atinge produtos com numeração final 1 nos lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca.
Recolhimento é temporariamente suspenso
Apesar da manutenção das restrições sanitárias, a diretoria acolheu parcialmente o pedido da empresa para suspender temporariamente o recolhimento imediato dos produtos. Na prática, a Ypê não precisará retirar os itens do mercado neste momento, mas terá de apresentar um plano detalhado para executar a medida.
A Anvisa destacou que a condução do caso busca equilibrar rigor sanitário e diálogo institucional com a empresa.
Segundo Safatle, há “convergência de interesses” entre o poder público e a fabricante para corrigir as falhas identificadas e assegurar que os produtos atendam aos padrões de qualidade e segurança exigidos pela legislação.
Empresa intensifica ações corretivas
A Ypê informou que está colaborando com a Anvisa e apresentou um plano de ação atualizado para corrigir os problemas apontados pela fiscalização. Segundo a agência, a empresa listou 239 ações corretivas em andamento na fábrica de Amparo (SP).
Ainda conforme a Anvisa, equipes da unidade industrial intensificaram os trabalhos desde a publicação da resolução que determinou a suspensão dos produtos.
Em nota, a empresa afirmou que vem fornecendo laudos microbiológicos, análises técnicas e estudos de risco para demonstrar a segurança de seus processos produtivos. A companhia também confirmou a interrupção temporária da produção na unidade paulista para acelerar as adequações exigidas pelas autoridades sanitárias.
Além disso, a Ypê afirma que pretende investir cerca de R$ 130 milhões para adequar o seu parque fabril em Amparo. O chamado Plano de Qualidade da empresa foi elaborado no fim do ano passado, após a agência interditar lotes de lava-roupas por contaminação microbiológica detectada pela própria Ypê.
Apesar da reestruturação, a agência determinou este mês novo recolhimento e interrupção da fabricação de parte dos produtos feitos no interior paulista.
Além da medida cautelar mantida nesta sexta-feira, a Anvisa ainda conduz um processo administrativo sanitário para investigar o caso. A apuração poderá resultar em novas sanções contra a empresa, dependendo das conclusões técnicas do órgão regulador.



