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quarta-feira, 13 maio, 2026
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Promotor Peru pede prisão de candidato da esquerda; 2 turno

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Por Brasil de Fato

O Ministério Público do Peru acusou o candidato presidencial de esquerda Roberto Sánchez de crimes financeiros, pedindo que ele seja condenado a cinco anos e quatro meses de prisão. As acusações, tornadas públicas na terça-feira (12), surgiram horas depois de as autoridades eleitorais confirmarem que Sánchez estava a caminho de avançar para o segundo turno das eleições presidenciais do país, marcado para 7 de junho.

Segundo o jornal El Comercio, os promotores alegam que Sánchez, candidato do partido Juntos pelo Peru (Juntos por el Peru), apresentou ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais declarações financeiras falsas relacionadas a contribuições de campanha entre 2018 e 2020.

Os promotores afirmam que Sánchez e seu irmão, William Sánchez, receberam mais de 280 mil soles peruanos (US$ 81.720) em contribuições e taxas de filiação que nunca foram divulgadas nos registros financeiros do partido. Sánchez também é acusado de prestar declarações falsas em processos administrativos.

Representantes da coalizão Juntos pelo Peru argumentam que os problemas na declaração de Sánchez em relação aos processos eleitorais passados ​​são meros erros de digitalização e, portanto, não constituem crime.

Além da pena de prisão, os promotores também buscavam a “inabilitação permanente” de Sánchez para o cargo de presidente do partido, segundo o El Comercio. O advogado de Sánchez rejeitou as acusações, declarando à agência de notícias local RPP que o tesoureiro do partido, e não Sánchez, era o responsável pelas demonstrações financeiras.

Um juiz deve decidir em 27 de maio se o caso irá a julgamento. As acusações surgiram enquanto a apuração dos votos do primeiro turno das eleições de 12 de abril mostrava Sánchez avançando para o segundo turno contra a rival conservadora Keiko Fujimori.

Com 99,76% dos votos apurados, Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori e candidata à presidência pela quarta vez, liderava com folga, com 17,17% dos votos.

Sánchez obteve 12% dos votos, ficando ligeiramente à frente do ex-prefeito de Lima, o ultraconservador Rafael López Aliaga, com 11,91%, uma margem de aproximadamente 15.000 votos. O resultado final é esperado até 15 de maio.

A oposição defende que o lawfare, ou uso estratégico da lei como arma de guerra para prejudicar adversários políticos, e o fujimorismo são os principais motivos que mergulharam o Peru em uma crise política que viu o país ter nove presidentes na última década. Entre eles, Pedro Castillo, deposto e preso por suposta tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o parlamento, de quem Sánchez é aliado. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural.

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em política na América Latina, afirmou à Agência Brasil que Sánchez tem um perfil nacionalista-popular.

“É um nacionalismo popular que reivindica a cor da pele, o chapéu, que são símbolos importantes de um setor político que vem chegando aos poucos, mas com muita resistência por parte das elites. Ele busca dar uma resposta às maiorias que trabalham na terra, do interior, e tem prometido algumas reformas”, diz.

Entre as propostas de governo, estão a nacionalização de recursos naturais, uma nova constituinte para refundar os poderes institucionais do Peru e mais direitos trabalhistas.

Sanchéz foi ministro do Comércio Exterior e Turismo do governo de Pedro Castillo, em 2021. Psicólogo de formação, ele é um deputado peruano do partido Juntos Pelo Peru e foi um dos entusiastas da criação do Porto de Chacay, construído com muitos investimentos chineses para escoar a produção para a Ásia.





ICL Notícias

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