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terça-feira, 5 maio, 2026
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PT parte para ofensiva por CPI do Master após revezes

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Por Cleber Lourenço

A bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiu apoiar de forma mais enfática e incisiva a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso Master e já assinou o requerimento apresentado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

Questionado se apoiaria requerimentos da oposição, o líder da bancada, Pedro Uczai, confirmou que o partido não apenas apoia a investigação como já aderiu formalmente à iniciativa, sinalizando alinhamento tático com a instalação da comissão.

O movimento coloca o partido formalmente ao lado da criação da comissão, inclusive em um terreno tradicionalmente explorado pela oposição. Na prática, a decisão também busca afastar o discurso de que haveria resistência do governo em relação às investigações.

A mudança de postura ocorre após uma sequência de revezes políticos enfrentados pelo governo no Congresso. Até então, a estratégia predominante do PT era evitar tensionar a relação com a cúpula do Legislativo, especialmente com lideranças do Centrão contrárias à instalação de uma comissão para investigar o Caso Master. A avaliação era de que abrir esse flanco poderia gerar novos embates institucionais e dificultar a tramitação de pautas de interesse do Planalto.

Nos últimos dias, porém, esse cálculo foi revisto. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria foram interpretadas por parlamentares governistas como sinais de perda de controle da agenda no Congresso. Diante desse cenário, a orientação passou a ser de enfrentamento político e de defesa mais explícita da investigação do Caso Master no âmbito do Legislativo.

Nos bastidores, porém, o cenário é outro. A instalação da CPMI ainda depende de leitura do requerimento e de articulação política, e enfrenta resistência de setores do Centrão e da oposição, que disputam o controle da pauta e o alcance das apurações.

Em entrevista ao ICL Notícias, o líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Uczai, elevou o tom e afirmou que as movimentações recentes no Congresso fazem parte de uma articulação mais ampla para interferir tanto no Supremo Tribunal Federal quanto nas investigações envolvendo o Caso Master.

“As votações na semana passada, tanto a rejeição da indicação ao Supremo Tribunal Federal de Jorge Messias no Senado Federal, quanto a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria pelo Congresso Nacional, atenderam aos interesses de duas organizações criminosas”, afirmou.

A fala conecta três frentes distintas — STF, legislação penal e investigação financeira — em uma mesma leitura política. Para o parlamentar, a derrubada do veto à dosimetria atende a interesses ligados aos atos de 8 de janeiro.

“A derrubada do veto da dosimetria foi para defender os interesses da organização criminosa que tentou acabar com a democracia ao atacar violentamente as sedes dos três poderes no 8 de janeiro. Uma quadrilha que preparou a minuta do golpe e ainda planejou assassinar o presidente eleito, o vice e um ministro da Suprema Corte”, disse.

No mesmo raciocínio, Uczai afirma que a rejeição do nome de Jorge Messias ao STF estaria vinculada a interesses de investigados no escândalo do Banco Master.

“A rejeição de Jorge Messias para integrar a Suprema Corte, indicado pelo presidente da República com todos os preceitos constitucionais respeitados, foi um acordão criminoso daqueles que estão enrolados em investigações da Polícia Federal no escândalo de corrupção do Banco Master”, declarou.

A votação que barrou o nome de Messias é considerada incomum e aprofundou o desgaste entre o governo federal e o Senado. Já a derrubada do veto ao projeto da dosimetria ampliou a tensão entre Executivo e Congresso, sobretudo por seus possíveis efeitos sobre condenações relacionadas a crimes contra o Estado democrático de direito.

O Caso Master, por sua vez, tornou-se um dos principais pontos de pressão no ambiente político. A disputa agora não se limita à investigação em si, mas envolve o controle sobre a narrativa e sobre os instrumentos institucionais que podem ampliar ou restringir o alcance das apurações.

Com a CPMI ainda indefinida, o cenário aponta para uma disputa aberta no Congresso, em que governo, oposição e Centrão atuam de forma cruzada — ora convergindo, ora se enfrentando — em torno de um caso que já ultrapassou o campo técnico e se consolidou como eixo de conflito político.





ICL Notícias

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