Por Cleber Lourenço
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma nota à imprensa para desmentir rumores que circulavam entre apoiadores e em redes sociais sobre a possível nomeação de seus irmãos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), como ministros em um eventual governo.
No comunicado enviado ao ICL Notícias, a equipe de pré-campanha do parlamentar foi direta ao classificar as informações como falsas e sem qualquer fundamento. “As informações divulgadas não são verdadeiras. Não procedem as afirmações de que Carlos ou Eduardo Bolsonaro serão nomeados ministros em eventual governo. Trata-se de conteúdo inverídico, sem qualquer confirmação ou fundamento”, diz a nota.
Questionada pela reportagem sobre a existência de qualquer possibilidade de os irmãos ocuparem cargos ministeriais, a equipe foi categórica: “nenhuma”.
A pré-campanha também acrescenta que mantém “compromisso com a transparência e a correta informação dos fatos”, em uma tentativa de conter a disseminação do boato.
A necessidade de uma resposta pública mostra o alcance que a narrativa ganhou dentro do próprio campo bolsonarista. As especulações passaram a circular em grupos de apoiadores e perfis alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, alimentando a ideia de que um eventual governo de Flávio já teria espaço reservado para integrantes da família.
Conflito de informações
Segundo membros do PL ouvidos pela reportagem, os boatos teriam partido dos próprios irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro, em uma tentativa de viabilizar seus nomes em um eventual governo de Flávio, caso seja eleito. A avaliação entre aliados é que o movimento acabou gerando desgaste antecipado e obrigou a campanha a agir para conter a narrativa.
O episódio expõe um ruído interno na comunicação política do bolsonarismo. Enquanto a base antecipa cenários e projeta um governo com forte presença familiar, a campanha tenta conter esse tipo de narrativa, considerada prejudicial para a construção de alianças e para a ampliação do eleitorado.
A inclusão de Eduardo e Carlos Bolsonaro em possíveis ministérios, ainda que apenas no campo da especulação, carrega desgaste político imediato. A percepção de um governo concentrado na família tende a afastar setores mais moderados e reforçar críticas recorrentes da oposição sobre personalismo e falta de institucionalidade.
A campanha busca evitar que a imagem de um eventual governo seja associada a uma estrutura familiar antes mesmo de qualquer definição política mais ampla, como alianças partidárias, composição de base e construção de programa.
O episódio também ocorre em um momento em que o bolsonarismo ainda tenta consolidar um nome competitivo para a disputa presidencial, diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Flávio tem sido apontado como uma das alternativas dentro do grupo, mas ainda enfrenta desafios para ampliar sua projeção nacional e consolidar apoios fora do núcleo mais fiel.
Nos bastidores, a avaliação de integrantes do partido é que o principal desafio de Flávio, tanto durante a campanha quanto em um eventual governo, pode vir de dentro de casa. A interferência da própria família, especialmente dos irmãos, é vista como um fator de risco político que a campanha tenta, desde já, neutralizar.
Nesse contexto, a circulação de boatos e a necessidade de desmenti-los publicamente reforçam a percepção de desorganização e disputa de narrativa dentro do próprio campo político.



