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segunda-feira, 20 abril, 2026
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Com recursos do governo Trump, empresa dos EUA compra única mineradora de terras raras no Brasil

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Um acordo bilionário coloca uma das empresas americanas do setor de terras raras com um acesso privilegiado aos minérios brasileiros. Nesta segunda-feira, a USA Rare Earth anunciou que irá adquirir a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações.

Num comunicado, a empresa afirma que se trata de “mais um passo em sua estratégia de criar uma operação que inclua mineração, processamento e fabricação de ímãs”.

“A mina Pela Ema da Serra Verde é um ativo único e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em escala”, afirmou Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth.

“A empresa americana pagará US$ 300 milhões em dinheiro e 126,9 milhões em novas ações próprias pela transação, que deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026”, diz o comunicado.

O setor é considerado como estratégico para os EUA, principalmente em sua disputa com a China pela hegemonia militar e tecnológica.

O governo de Donald Trump chegou a convidar o Brasil a fazer parte de uma aliança anti-China no setor de terras raras, mas Brasília declinou. O acordo previa que os participantes teriam de fornecer, de forma preferencial, os minérios ao mercado dos EUA.

Com o acordo anunciado nesta segunda-feira, a mineradora Serra Verde indicou ainda que firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% de sua produção durante a fase inicial da mina para uma Sociedade de Propósito Específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas.

Em janeiro, a empresa que adquiriu a mineradora brasileira recebeu uma injeção de US$ 1,6 bilhão do governo Trump, que passou a controlar 10% da companhia.

Naquele momento, o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o investimento “garante que nossas cadeias de suprimentos sejam resilientes e não dependam mais de países estrangeiros.”

O compromisso inclui um empréstimo de US$ 1,3 bilhão do Departamento de Comércio, bem como US$ 277 milhões em financiamento federal.

Mas o acordo entre a mineradora e o governo Trump ligou um alerta entre os democratas.

Uma das questões é a relação entre a USA Rare Earth e a Cantor Fitzgerald, a empresa financeira que tinha a participação do próprio Lutnick e que foi contratada pela mineradora como intermediária no negóciio.

Com Lutnick no governo, são seus filhos que tocam a empresa.

Em uma carta de 10 páginas, a deputada Zoe Lofgren, do Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara dos Representantes, alertou:

“Este acordo cria um enorme conflito de interesses pessoal, concedendo ao Secretário de Comércio uma influência desproporcional sobre o comportamento de uma empresa privada, ao mesmo tempo que o coloca em posição de promover os interesses de seus filhos como condição para seu apoio”.

Segundo ela, os termos do acordo criariam o risco de uma influência indevida por parte do secretário de Comércio na empresa e em seus investimentos. “A interação entre a vulnerabilidade da empresa e seu conflito pessoal é um sinal de alerta gritante”, escreveu Lofgren.

Em fevereiro, os senadores Elizabeth Warren, de Massachusetts, Chris Van Hollen, de Maryland, e Ron Wyden, do Oregon, enviaram outra carta ao secretário de Comércio alertando que o acordo levanta questões sobre se membros da família imediata de Lutnick podem ter se beneficiado financeiramente.

“É imprescindível que os investimentos federais em setores críticos sejam feitos sem conflitos de interesse e com base no mérito”, disseram os senadores a Lutnick.

Quem banca a empresa “brasileira”

Serra Verde, segundo fontes do mercado, sempre contou com investidores estrangeiros. Em 2010, foi o Fundo de Private Equity Denham Capital quem comprou o projeto. Anos depois, foi o fundo britânico Vision Blue que desembarcou.

Para aportar capital, os europeus solicitaram um contrato para assegurar o fluxo de caixa. A saída veio da China, com exclusividade de compra do fluxo até 2028.

Já em 2025, a mineradora recebeu um apoio adicional do Departamento da Guerra dos EUA, de US$ 565 milhões, para aumentar a escala de produção.

 





ICL Notícias

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