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segunda-feira, 20 abril, 2026
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Lula critica ‘narrativas falsas’ da UE sobre o agro

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Na abertura da Hannover Messe, principal feira industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a União Europeia mantém “narrativas falsas” sobre o agronegócio brasileiro. A declaração ocorreu neste domingo (19), durante cerimônia que antecede o início oficial do evento, no qual o Brasil é o país homenageado pela segunda vez.

Diante de uma plateia formada por empresários e executivos, Lula concentrou sua fala na defesa da matriz energética brasileira e na crítica a barreiras comerciais europeias, especialmente no setor de biocombustíveis.

O presidente argumentou que o Brasil pode contribuir para a redução dos custos energéticos e para a descarbonização da economia europeia. Para isso, defendeu que as regras do bloco considerem o perfil limpo da produção energética brasileira.

“É preciso ainda combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais a um acerto de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”, afirmou.

Segundo Lula, restrições impostas pela União Europeia ignoram avanços do país na área ambiental e energética.

“Já adotamos mistura de 30% de etanol à gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, disse.

Agronegócio e disputa de narrativas

Ao abordar o agronegócio, Lula afirmou ser necessário combater percepções equivocadas sobre a sustentabilidade da produção brasileira. A fala ocorre em meio a críticas recorrentes de países europeus sobre impactos ambientais da atividade agrícola no Brasil.

O presidente também citou metas ambientais do governo, como o compromisso de zerar o desmatamento até 2030. Segundo ele, houve redução recente nas taxas de devastação, com queda significativa na Amazônia e no Cerrado.

Memória política e relação com a Alemanha

Lula fez ainda uma referência à sua trajetória pessoal ao lembrar que, em 1980, durante a mesma feira, estava preso por liderar greves no ABC paulista. O movimento sindical, que afetou empresas alemãs instaladas no Brasil, projetou sua figura nacionalmente.

A menção foi bem recebida pelo público, assim como a lembrança de iniciativas históricas envolvendo biocombustíveis, como o Pró-Álcool e a participação de montadoras alemãs no desenvolvimento de motores a etanol.

“Em 1980, nesta mesma feira, nesta mesma cidade, Volkswagen e Mercedes apresentaram motores movidos a etanol”, lembrou.

Agenda bilateral e próximos passos

A visita à Alemanha inclui encontros com autoridades locais e uma agenda voltada à cooperação econômica. Lula deve participar da abertura oficial da feira ao lado do primeiro-ministro Friedrich Merz e visitar a sede da Volkswagen, em Wolfsburg, acompanhado de líderes sindicais.

A passagem pelo país integra uma agenda mais ampla na Europa, iniciada na semana anterior e que se encerra com compromissos em Portugal.

 

 





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