Uma tecnologia desenvolvida no Brasil ganhou destaque internacional ao ser utilizada por astronautas da missão Artemis II, da NASA. O dispositivo, um actígrafo criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), foi usado para monitorar padrões de sono, movimentação corporal e exposição à luz durante os 10 dias da missão, que retornou à Terra na última sexta-feira (10).
Tecnologia brasileira no espaço
O equipamento foi desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli. O projeto contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e, posteriormente, passou por aprimoramentos em parceria com uma empresa externa.
Conhecido como actígrafo, o dispositivo é utilizado no pulso e se assemelha a um smartwatch, mas tem finalidade científica. Ele é capaz de registrar dados essenciais sobre o funcionamento do corpo humano, incluindo ciclos de sono, atividade motora e níveis de exposição à luminosidade.
A tecnologia é amplamente aplicada em áreas como a cronobiologia, que estuda os ritmos biológicos, além da neurociência e da saúde pública.
Monitoramento de astronautas
Durante a missão Artemis II, o actígrafo foi utilizado para acompanhar como o corpo dos astronautas reage ao ambiente espacial, onde fatores como ausência de gravidade e alterações no ciclo de luz podem impactar diretamente o relógio biológico.
O monitoramento desses dados é considerado fundamental para futuras missões de longa duração, especialmente aquelas que envolvem o retorno à Lua e possíveis viagens a Marte.
Em nota, a EACH destacou a relevância da participação na missão. “Para a EACH, a utilização do dispositivo em missões espaciais representa uma conquista de grande relevância, evidenciando o impacto global da pesquisa desenvolvida na unidade e reforçando o papel da universidade pública brasileira na produção de conhecimento científico de excelência”, afirmou a instituição.
Missão marca nova fase da exploração lunar
A missão Artemis II simboliza o retorno de humanos à órbita lunar após mais de cinco décadas desde o programa Apollo. A tripulação foi composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch, além de Jeremy Hansen, representante da Agência Espacial Canadense.
Após 10 dias no espaço, a equipe retornou com segurança à Terra, com pouso realizado no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos. Segundo a NASA, todos os tripulantes estão bem e passam por acompanhamento médico.
O sucesso da missão abre caminho para as próximas etapas do programa Artemis, que pretende levar astronautas novamente à superfície lunar. A próxima fase está prevista para 2027.
Ciência brasileira em destaque
A presença de uma tecnologia desenvolvida em universidade pública brasileira em uma missão espacial de grande porte reforça a importância da ciência nacional no cenário global.
O uso do actígrafo evidencia como pesquisas acadêmicas podem ultrapassar fronteiras e contribuir diretamente para avanços em áreas estratégicas, como a exploração espacial e a saúde humana em ambientes extremos.
Além disso, o reconhecimento internacional pode impulsionar novos investimentos em pesquisa e inovação no Brasil, ampliando o alcance de projetos científicos desenvolvidos em instituições públicas.



