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segunda-feira, 13 abril, 2026
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Caiado deixa cargo em Goiás com ao menos 10 parentes no governo

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Por Ana Gabriela Oliveira Lima

(Folhapress) – Nascer Caiado em Goiás é um bom começo. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) deixou o posto no último dia 31, mas pelo menos 10 parentes seus ficaram em cargos comissionados.

No total, aparecem 50 Caiados na folha de pagamento do estado de março, somando as remunerações, são mais de R$ 650 mil por mês. O grupo inclui servidores reformados, aposentados, pensionistas, efetivos, temporários e comissionados. Se considerarmos familiares com outros sobrenomes, cresce ainda mais.

A reportagem filtrou 10 parentes comissionados, que são funcionários nomeados livremente por uma autoridade para exercer funções de direção, chefia ou assessoramento, sem necessidade de concurso público, além de três familiares alocados em uma entidade que tem parceria com o estado.

Dos 10 nomes identificados pela reportagem, 9 são primos e 1 é marido de prima do ex-governador.
Adriano da Rocha Lima, primo de Caiado, é um deles. Assessor na Secretaria de Relações Institucionais, é cotado para ser vice na chapa do atual governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que assumiu depois que Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD.

Como outros da lista, Lima argumenta que é um primo distante do presidenciável. “Eu nem sei contar qual é o grau de parentesco”, diz. Outro exemplo é a prima Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer.

Juliana Ramos Caiado, prima do ex-governador, é assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

Paulo Henrique Caiado Canedo, também primo, é conselheiro do CAT (Conselho Administrativo Tributário), vinculado à Secretaria de Estado da Economia, e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás.

Outro primo, Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, é chefe de Gabinete na Secretaria de Estado da Administração.

Ronaldo Caiado afirma que “todas as contratações mencionadas foram previamente analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado e estão em total conformidade com a legislação vigente e com a súmula vinculante nº 13, do STF (Supremo Tribunal Federal)”.

Para especialistas, os casos apurados entram em brechas na lei que classifica o nepotismo, porque primo é considerado parente de 4º grau, mas é possível questionar o comportamento na Justiça. Para ser considerado nepotismo, a nomeação deve ser de cônjuges, companheiros e parentes de até 3º grau em funções de confiança ou cargos em comissão.

Outra brecha explorada pelo governador foi a nomeação de pessoa ligada à família no chamado cargo político de primeiro escalão, caso dos secretários em governos estaduais. Nesse tipo de cargo, o STF já entendeu poder haver a nomeação de parentes.

No governo de Caiado, Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, casado com uma prima do político, foi colocado à frente da Secretaria de Estado da Retomada. A reportagem tentou falar com Moura, que não respondeu.

Segundo os especialistas em direito administrativo Leandro Mello Frota, membro do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), e Manoel Peixinho, professor da PUC-Rio, ainda que dentro das exceções previstas em lei, os casos podem gerar ações na Justiça sob o argumento de violação de princípios constitucionais de moralidade, impessoalidade e eficiência.

“Estamos falando de dinheiro público e de funções importantes para a vida da sociedade. É importante olhar as atitudes do governante, que, embora não estejam, em um primeiro momento, praticando nepotismo, podem estar afrontando outros princípios da Constituição”, diz Mello Frota.

Ronaldo Caiado e Gracinha Caiado.
Ronaldo Caiado e Gracinha Caiado.

Entidade com contrato com governo tem mais parentes de Gracinha e Caiado

Na folha de pagamento da OVG (Organização das Voluntárias de Goiás), entidade sem fins lucrativos que tem parceria com o governo de Goiás, está a esposa de um primo de Caiado e dois sobrinhos da ex-primeira-dama Gracinha Caiado.

A entidade recebeu, no último aditivo, 70% a mais de repasse do Estado, se comparado ao ano anterior. Foi um salto de R$ 434 milhões no orçamento referente ao período de julho de 2024 a junho de 2025 para R$ 738 milhões de julho de 2025 a junho de 2026.

A presidência de honra da organização foi, até o último dia 31, de Gracinha, agora pré-candidata ao Senado pelo União Brasil. O cargo é voluntário e sem remuneração.

Uma das sobrinhas de Gracinha, Roberta Wendorf de Carvalho, é diretora na OVG e recebe R$ 28.739,50.

O segundo sobrinho é Décio Agrário Calazans Wendorf de Carvalho, que consta como assessor especial na OVG, com salário de R$ 19.480,67. Ele também é membro do conselho do Departamento Estadual de Trânsito, com remuneração de R$ 4.800.

A diretoria geral da OVG fica por conta de Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, com salário de R$ 40,5 mil, que é casada com um primo do ex-governador.

Adryanna também preside o conselho de administração da Companhia de Investimentos e Parcerias do Estado de Goiás, a Goiás Parcerias, que é uma sociedade de economia mista vinculada ao estado, com remuneração de R$ 17,3 mil por mês. Na Saneago, de saneamento, é conselheira administrativa, com vencimentos de R$ 9,8 mil. No total, ela recebe R$ 67,6 mil por mês.

Em nota, a OVG afirma que o nome de Adryanna foi aprovado pelo conselho de administração da organização e que, sob sua gestão, a entidade teve crescimento histórico. A diretora afirma que “tem quase 30 anos de serviço público em Goiás” e que sua formação e experiência “no Estado foram fatores determinantes para a ocupação da diretoria-geral da OVG e dos cargos nos dois conselhos”.

Gracinha diz que, no período em que foi presidente de honra da OVG, “liderou o maior programa de superação da pobreza da história de Goiás”. A entidade realiza em parceria com o estado programas sociais como distribuição de alimentos e acolhimento a grávidas, crianças e idosos.

Caiado também afirma que “todos os servidores mencionados exercem regularmente suas funções, possuem qualificação técnica compatível com os cargos que ocupam e desempenham suas atribuições sem qualquer irregularidade ou prejuízo à administração pública”.

Parentes de Ronaldo Caiado no governo

1- Adriano da Rocha Lima, primo: assessor na Secretaria de Relações Institucionais

2- Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, prima: chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer

3- Antonio Lopes Xavier Nunes, primo: assessor na Secretaria de Estado de Segurança Pública

4- Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, marido da prima: secretário de Estado na Secretaria de Estado da Retomada

5- Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, primo: chefe de Gabinete na Secretaria de Estado da Administração

6- Juliana Ramos Caiado, prima: assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social

7- Leoni di Ramos Caiado Neto, primo: superintendente de Reintegração Social e Cidadania da Polícia Penal

8- Marlon Antonio Santos Ramos Caiado, primo: assessor especial da governadoria

9- Patricia Mundim Caiado, prima: assessora na Secretaria de Estado da Saúde

10- Paulo Henrique Caiado Canedo, primo: conselheiro do CAT (Conselho Administrativo Tributário), vinculado à Secretaria de Estado da Economia, e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás

Parentes de Gracinha e Caiado na OVG

1- Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, casada com primo de Caiado: diretora geral da OVG, preside o conselho de administração da Goiás Parcerias e é conselheira administrativa na Saneago

2- Roberta Wendorf de Carvalho, sobrinha de Gracinha Caiado: diretora na OVG

3- Décio Agrário Calazans Wendorf de Carvallho, sobrinho de Gracinha Caiado: assessor especial na OGV e membro do conselho do Departamento Estadual de Trânsito

Colaboraram Evelyn Aires, Iran Alves, Gabriel Serpa, Guilherme Matos, Malu Araujo, Mariana Grasso e Richard Henrique





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