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quinta-feira, 9 abril, 2026
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Alcolumbre deixa CPMI do Banco Master fora da sessão do Congresso

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Cleber Lourenço

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu não incluir a instalação da CPMI do Banco Master na sessão conjunta marcada para o próximo dia 30 de abril, mesmo com o colegiado já tendo cumprido os requisitos regimentais para sua criação.

A decisão, confirmada à reportagem pela assessoria do parlamentar, ocorre em meio a uma disputa de versões dentro do Congresso sobre um suposto acordo político para restringir a pauta da sessão.

Nos bastidores, membros da base governista afirmam que houve um entendimento para que a sessão fosse dedicada exclusivamente à análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria. Em contrapartida, a oposição não pressionaria pela instalação imediata da CPMI.

A existência desse acordo foi reforçada publicamente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Em entrevista ao programa Canal Livre, exibido no início de março, o dirigente afirmou que recebeu uma proposta para viabilizar a votação do projeto da dosimetria penal ainda neste ano eleitoral, condicionada à não instalação da CPI do Banco Master.

“Eu tive uma proposta essa semana […] Eu falei com o Rogério Marinho. Eles querem votar dosimetria, desde que não faça CPI do Banco Master no Senado”, declarou.

Questionado sobre a resistência à CPI, Valdemar citou diretamente o presidente do Congresso.

“Alcolumbre é um deles”, afirmou. Ao ser perguntado se Davi Alcolumbre não quer a comissão, respondeu: “Lógico que não”.

A fala foi interpretada por governistas como confirmação de um acordo político para adiar a instalação da CPMI do Banco Master.

A versão, no entanto, é rejeitada por lideranças da própria oposição.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), negou qualquer tipo de entendimento e afirmou que não houve negociação nesse sentido.

“”Nós jamais faremos esse tipo de acordo escuso””, disse.

Na mesma linha, o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também rejeitou a existência de qualquer acerto envolvendo a CPMI.

A divergência escancara um padrão recorrente no Congresso: acordos que circulam nos bastidores, mas que dificilmente são assumidos publicamente por seus participantes.

Apesar de já contar com o número mínimo de assinaturas, a CPMI segue fora da pauta, o que evidencia o controle político exercido pela presidência do Congresso sobre o timing de instalação de comissões de investigação.

Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que a justificativa adotada é de natureza jurídica: não haveria, neste momento, decisão do Supremo Tribunal Federal obrigando a instalação da CPMI, diferentemente do que ocorreu no caso da CPI da Covid, em 2021.

Na prática, essa interpretação abre margem para que a instalação seja postergada sem violação direta a uma ordem judicial vigente, transferindo para o campo político — e possivelmente judicial — a disputa sobre o tema.

Com a CPMI fora da pauta, a sessão do dia 30 tende a se concentrar exclusivamente no veto presidencial à dosimetria, tema sensível por seus efeitos sobre condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

A decisão de limitar a pauta a um único item é vista, nos bastidores, como tentativa de reduzir riscos políticos e evitar a ampliação do conflito em torno de temas simultâneos.

O episódio expõe uma disputa mais ampla sobre o controle da agenda legislativa e o uso político de instrumentos de investigação no Congresso. Enquanto governistas apontam a existência de um acordo para adiar a CPMI, a oposição nega qualquer articulação e tenta afastar a percepção de barganha.

No meio desse embate, a CPMI do Banco Master permanece apta a ser instalada — mas, por ora, fora do jogo e dependente de decisão política da cúpula do Congresso.





ICL Notícias

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