Na última semana, ganhou enorme repercussão o caso das amostras de material biológico levadas de um laboratório NB-3 do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um ambiente de alto nível de biossegurança. Os suspeitos são a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, e o marido dela, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller.
Segundo apuração do programa “Fantástico”, da TV Globo, ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram transportadas de um laboratório para outro, incluindo dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano e outros menos conhecidos, além de 13 tipos de vírus que infectam animais. Entre os itens recuperados, também estavam amostras dos vírus da gripe tipo A.
A pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller foi presa sob suspeita de furtar materiais de pesquisa. Ela chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, mas já deixou a prisão, segundo a Polícia Federal.
As investigações começaram após uma pesquisadora perceber, em 13 de fevereiro, o desaparecimento de caixas com amostras de vírus. Nos dias 24 e 25 de fevereiro, Michael Edward foi visto entrando e saindo do laboratório em horários incomuns, carregando objetos. No mesmo período, outra cientista notou que várias amostras haviam sumido.
Durante as investigações, imagens analisadas pela polícia indicam que o casal frequentava o laboratório desde novembro, inclusive em momentos em que não havia outras pessoas no local.
Investigação
O caso chegou à diretoria do Instituto de Biologia no dia 3 de março e, dez dias depois, foi encaminhado à reitoria. A Unicamp acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal, já que o tema envolve biossegurança.
A Polícia Federal realizou buscas, no dia 21 de março, na universidade e na casa dos suspeitos. Nada foi encontrado na residência. Na Unicamp, parte do material foi localizada em um biofreezer da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad trabalha.
Segundo as investigações, após a operação, a professora teria ido a outro laboratório, onde haveria mais amostras escondidas, e teria descartado material biológico e alterado rótulos e marcações.
A direção do Instituto de Biologia informou que não há risco generalizado de contaminação, desde que os vírus permaneçam armazenados corretamente, em recipientes vedados e congelados. A Unicamp afirmou, em nota, que o episódio foi um “caso isolado em consequência de circunstâncias atípicas”.
Quem é a pesquisadora suspeita de furtar laboratório de alta biossegurança da Unicamp
A pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, suspeita de ter furtado o material no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada da Unicamp, é professora doutora da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) da instituição desde 2025. Soledad é biotecnologista formada na Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, e doutora em ciências na área de fármacos, medicamentos e insumos para saúde pela própria Unicamp.

Atualmente, ela coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa relacionadas ao desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água.
Entre os trabalhos de pesquisa, de acordo com o currículo Lattes, Miller atua em projetos relacionados aos vírus sincicial respiratório, metapneumovirus aviário e vírus da bronquite infecciosa, estabelecimento de linhagens celulares de morcegos para estudos in vitro de vírus e desenvolvimento de linhagens celulares aviárias como método alternativo para a produção de vacinas.
*Com Folhapress



