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sexta-feira, 27 março, 2026
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Postos de combustíveis elevam margens de lucro em 70%

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Distribuidoras e postos de combustíveis têm registrado aumento significativo em suas margens de lucro, mesmo após as medidas do governo federal para conter os preços como consequência da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem levado à alta do petróleo no mercado internacional. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), desde o início do conflito em 28 de fevereiro, a margem de lucro chegou a subir até 71,6%.

Entre as ações adotadas pelo governo, estão a isenção de impostos federais sobre o diesel, o aumento do imposto de exportação sobre o petróleo, subvenções financeiras a produtores e importadores, e fiscalização do repasse dessas medidas aos consumidores.

O estudo mostra que a margem média de lucro das empresas aumentou mais de 30% em produtos como diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum. O diesel S-500, usado por veículos mais antigos, teve alta de 71,6%, enquanto o diesel S-10 subiu 45%. A gasolina comum apresentou aumento de 32,2%.

“Esses percentuais se referem apenas à parcela do preço final que fica com distribuidoras e postos — não ao valor total pago pelo consumidor”, esclarece o estudo.

Recentemente, a Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, foi autuada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) após uma fiscalização identificar indícios de elevação abusiva nos preços do diesel. Segundo o auto de infração, a distribuidora aumentou o valor do combustível em cerca de R$ 1,06 por litro, enquanto o custo subiu apenas R$ 0,03 no mesmo período.

A discrepância — equivalente a aproximadamente 35 vezes o aumento de custo — foi classificada pelos fiscais como um “forte indício” de prática irregular.

Dados oficiais mostram trajetória de alta

O estudo do Ibeps utiliza dados do Ministério de Minas e Energia (MME), com base no Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, que detalha a composição dos preços — combustível fóssil, biocombustíveis, tributos e margens de distribuição e revenda — com informações da ANP e da Esalq/USP.

Embora a alta recente acompanhe o aumento internacional do petróleo, o Ibeps aponta que o crescimento das margens vem ocorrendo desde 2021. Na comparação com aquele ano, os aumentos são ainda mais expressivos: diesel S-500, +238,8%; diesel S-10, +111,8%; gasolina comum, +90,7%.

Segundo Eric Gil Dantas, economista do Ibeps, dois fatores estruturais explicam a tendência. “O primeiro foi a alta de preços entre 2021 e 2022, quando os derivados atingiram os maiores valores reais da história do país. A política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada pela Petrobras trouxe grande volatilidade ao mercado, permitindo que as margens crescessem sem serem percebidas. Mesmo com poucos reajustes em 2023, as margens continuaram subindo.”

O segundo fator é a privatização de empresas estatais, como BR Distribuidora e Liquigás. “Com isso, perdeu-se a possibilidade de manter margens mais próximas do aceitável. A BR e a Liquigás tinham grande poder para determinar essas margens e, após serem privatizadas, isso se perdeu”, acrescenta Dantas.

Impacto da alta do petróleo na economia

O conflito no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo acima de US$ 100, refletindo a menor oferta global e a importância estratégica da região, que concentra rotas de transporte essenciais, como o Estreito de Ormuz.

O aumento do preço dos derivados afeta diretamente o transporte, o agronegócio — principalmente fertilizantes químicos — e a geração de energia elétrica, especialmente em termelétricas acionadas em períodos de seca.

Nos últimos 15 dias, o diesel registrou alta média de quase 20% nos postos brasileiros, segundo a ANP, e o cenário global segue volátil com tensões entre EUA e Irã, além de alertas de interrupções russas nos portos do Báltico.

 





ICL Notícias

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