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terça-feira, 24 março, 2026
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Petróleo volta a subir com incertezas sobre negociações entre EUA e Irã

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O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira (24) no mercado internacional, impulsionado pela crescente incerteza em torno das possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para reduzir a escalada de conflitos no Oriente Médio. O movimento ocorre após uma sequência de sinais contraditórios vindos de autoridades políticas e relatos diplomáticos, que aumentaram a cautela dos investidores.

A oscilação no mercado foi influenciada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou na segunda-feira (23) que o Irã estaria disposto a avançar em um acordo e que haveria conversas indiretas, possivelmente por telefone, com representantes iranianos.

No entanto, informações divulgadas por veículos de imprensa sobre supostas tratativas envolvendo o enviado especial Steve Witkoff e o assessor Jared Kushner com autoridades iranianas foram negadas por uma conta atribuída ao presidente do parlamento do Irã, Mohammad-Bagher Ghalibaf. A publicação classificou os relatos como “fake news” e acusou a tentativa de manipulação dos mercados de petróleo.

Em paralelo, um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores iraniano informou à rede CBS News que Teerã recebeu propostas iniciais dos Estados Unidos por meio de intermediários e que o conteúdo está sob análise — etapa considerada preliminar e ainda distante de negociações formais.

A Casa Branca, por sua vez, afirmou que a situação permanece “fluida” e evitou confirmar qualquer contato direto entre as partes. Segundo a porta-voz Karoline Leavitt, “os EUA não negociam através da imprensa” e especulações não devem ser tratadas como fatos até confirmação oficial.

Petróleo ultrapassa US$ 100

No mercado asiático, o petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril nesta terça-feira, alcançando US$ 103,69, alta de 3,75%. O movimento reverte parte da forte queda registrada na segunda-feira, quando os preços recuaram mais de 10% diante de expectativas de descompressão geopolítica.

A recuperação reflete a percepção de investidores de que o cenário diplomático segue incerto, com ausência de confirmação sobre negociações concretas entre Washington e Teerã.

As oscilações também foram influenciadas por declarações recentes de Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos chegaram a considerar ataques a instalações energéticas iranianas, posteriormente suspensos após sinais de abertura ao diálogo.

Segundo o presidente, o Irã teria demonstrado interesse em um acordo envolvendo 15 pontos, com destaque para o abandono de programas nucleares em troca de estabilidade regional. Trump, no entanto, adotou tom cauteloso ao afirmar que não há garantias de avanço.

Em contraste, episódios de escalada militar continuaram a pressionar o cenário geopolítico. O Irã lançou ondas de mísseis contra Israel, causando danos em áreas de Tel Aviv e outras regiões. Israel respondeu com novos ataques aéreos, incluindo ações no Líbano e na capital iraniana, Teerã.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país continuará as operações militares contra o Irã e o Hezbollah, reforçando a estratégia de contenção de programas militares e nucleares iranianos.

Conflito segue ativo e sem horizonte claro

Apesar das sinalizações diplomáticas pontuais, o cenário permanece instável. O Comando Central dos Estados Unidos declarou que continuará realizando ataques contra alvos militares iranianos, enquanto novos relatos de ofensivas em Teerã reforçam a percepção de que o conflito segue em expansão.

A combinação entre guerra aberta, ameaças recíprocas e incertezas diplomáticas mantém o mercado de energia em alerta, com o petróleo reagindo de forma direta a cada nova declaração ou movimento militar na região.





ICL Notícias

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