29.3 C
Manaus
quarta-feira, 18 março, 2026
InícioBrasilProcuradores reagem contra proibição de aposentadoria compulsória

Procuradores reagem contra proibição de aposentadoria compulsória

Date:


Por Arthur Guimarães de Oliveira

(Folhapress) – Procuradores da República criticaram nesta quarta-feira (18) emendas apresentadas à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) no Senado sobre o fim da aposentadoria compulsória.

A classe faz uma ofensiva por Brasília para frear o avanço do texto nos moldes do voto da relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA).

A análise da proposta estava prevista para esta quarta na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), mas foi adiada por um pedido de vista do senador Sergio Moro (União Brasil-PR).

A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) afirmou, em nota pública, que sugestões de adendos à proposta podem avançar “sobre o núcleo da garantia constitucional da vitaliciedade dos membros do Ministério Público e da magistratura”.

A PEC é de autoria do então senador Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta veta a possibilidade de concessão de aposentadoria compulsória a magistrados e membros do Ministério Público como sanção disciplinar.

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA)é a relatora da PEC sobre fim da aposentadoria compulsória (Foto: Reprodução)

Emendas

Mas a associação se refere a duas emendas propostas no voto da senadora maranhense que preveem, em caso de falta de grave, a aplicação da punição de perda de cargo, independentemente de sentença judicial transitada em julgado.

Segundo a ANPR, as alterações atingem a “estrutura constitucional desenhada para assegurar a independência funcional de juízes e membros do Ministério Público, ampliando de modo preocupante a exposição dessas carreiras a pressões externas”.

Hoje, a Constituição estabelece como regra que magistrados, promotores e procuradores têm direito a vitaliciedade, só podendo perder o cargo por decisão transitada em julgado.

A ANPR diz não se opor ao texto original, mas defende a manutenção da exigência de trânsito em julgado (ou seja, de uma decisão da qual não se pode mais recorrer) para o rompimento definitivo do vínculo dos membros do Ministério Público e do Judiciário.

Na segunda-feira (16), Dino proferiu uma decisão na qual diz que a aposentadoria compulsória com afastamento remunerado para magistrados é inconstitucional. Segundo o ministro, as faltas graves devem ser sancionadas com a perda do cargo.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o entendimento, a princípio, aplica-se só ao caso concreto de um juiz de Mangaratiba (RJ), mas pode ter um efeito ampliado caso adotado como precedente. A PEC propõe o fim dessa punição a juízes, mas também militares e procuradores.

Nesta terça-feira (17), a associação partiu para o Senado. Seu presidente, José Schettino, e outros representantes se reuniram com os senadores Soraya Thronicke (Podemos-MS), Alan Rick (Republicanos-AC) e os próprios Moro e Eliziane.

De acordo com a ANPR, a entidade apresentou suas preocupações aos congressistas, em especial sobre a flexibilização da vitaliciedade. Para ela, as modificações introduzidas na PEC podem abrir margem para demissões sumárias pela via administrativa.

Na nota pública desta quarta, a carreira afirma que o debate não é uma pauta corporativista ou em defesa de prerrogativas unicamente dos procuradores, mas da preservação de “garantias estruturais voltadas à proteção da própria ordem democrática”.

“Atinge, sobretudo, a sociedade, que depende de um Poder Judiciário e de um Ministério Público livres de constrangimentos políticos, econômicos ou circunstanciais para atuar na defesa da legalidade, do regime democrático e dos direitos fundamentais.”

A entidade afirma que a erosão dessa garantia compromete a independência decisória e o enfrentamento do crime organizado, da corrupção e de desvios praticados por estruturas de poder e ecoa a história brasileira, citando o exemplo da ditadura militar.

“Um dos momentos mais emblemáticos de supressão da vitaliciedade e de outras proteções institucionais ocorreu com a edição do ato institucional nº 5, em 1968, marco do período mais severo do regime autoritário então instaurado”, afirma a nota.

 

Você já percebeu como debates sobre Judiciário e poder acabam reduzidos a versões simplificadas, sem espaço para análise consistente. No ICL, essas discussões são tratadas com base histórica, leitura crítica e troca com quem acompanha política com rigor. Aqui, você não precisa filtrar ruído para entender o que está em jogo. Torne-se membro.





ICL Notícias

spot_img
spot_img